Fluminense 0 x 1 Santo André – Paudurescência Zero!

Torcida Tricolor,

Sempre antes de algum campeonato que o Fluminense vai disputar, eu pego a tabela e vejo algumas partidas que são “três pontos garantidos”. Este jogo contra o Santo André, em casa, eu achava que fosse. E não foi…

O que falar de um adversário que mais parece um time de showbol do que um time profissional? Uma equipe que tem um volante de 42 anos de idade. Um meia-atacante de 39 anos. Um lateral-esquerdo chamado Gustavo Nery e um atacante chamado Rodrigo Fabri?

Pois é… e perdemos para esse time. Perdemos uma partida cujo gol sofrido foi contra (e um dos gols contra mais bisonhos que eu já tive a infelicidade de ver). Um jogo que poderíamos continuar jogando até a eternidade, e não seríamos capazes de marcar um mísero gol.

O time do Fluminense é um time sem alma. O grande guitarrista-vocalista-compositor Lobão cunhou um termo chamado “paudurescência”. Significa vontade de ter ou conquistar algo. É o tesão. Coisa que esse bando aí que nos representa, incluindo a diretoria e patrocinador, não têm. Ninguém tem vontade de ganhar. Não tem um infeliz para “botar o pau na mesa”, chamar a responsabilidade e fazer esse bando jogar. Em bradar: “isso aqui é Fluminense!!!” e atropelar esses “Santo Andrés e Barueris da vida”, que vêm aqui no Rio de Janeiro e não tomam mais o mínimo conhecimento da gente.

Levar (ou fazer) um gol como aquele, aos 3 minutos de jogo, faz qualquer um broxar (já que estou aqui fazendo inúmeras alusões eróticas…). Quando Cicinho, bom lateral-direito deles, disparou e cruzou para trás, buscando o esforçado centro-avante Nunes, eu esperava ver alguém dando um chutão e espanando o perigo. Mas aí, Wellington Monteiro resolveu “participar” do lance, a bola quicou em um defeito do péssimo gramado do Engenhão, e a canelada do nosso “jogador” pegou um efeito inesperado, matando Ricardo Berna.

Se já seria difícil romper uma retranca de um time muito bem armado pelo competente treinador Sergio Guedes, perdendo de 1×0 logo no início da partida, do jeito que foi, assinou nossa sentença. Um time que não tem jogadas pelas laterais, atua com 3 volantes (Wellington Monteiro, Diguinho e esse suposto meia-direita, que é um Cicero cem vezes mais lento, chamado Carlos Eduardo) e apenas um meia de criação responsável pela ingrata missão de armar todas as jogadas ofensivas, tem mesmo que sofrer, e muito.

O pior, é aguentar o descompromisso de um jogador como o Leandro Amaral. E a passividade e leniência de um ex-treinador em atividade, como Carlos Alberto Parreira.

É um time sem o mínimo padrão de jogo. Que busca nas individualidades a esperança em se resolver uma partida. O lateral Ruy, que fez sua estréia nesta partida, não foi mal. Pelo contrário, deu uma opção que não tínhamos pelo lado direito. Mas ainda é muito pouco,pois o time não tem jogada nenhuma pela esquerda. Continuar insistindo com o medíocre João Paulo é prosseguir com uma equipe desequilibrada taticamente.

Nosso meio-campo não protege uma dupla de zaga que marca mal demais e é lenta, além de ser fraquíssima no jogo aéreo. Diguinho não é nem sombra do jogador dinâmico, que era o pulmão do meio-campo do Botafogo em 2007/2008. Criaram este Carlos Eduardo, que veio do Ituano como promessa, mas que ninguém nunca sequer lembrou de uma grande partida deste jogador. Fraco, lento, mole, não chuta a gol, não arma jogadas, marca mal, enfim, eu realmente não entendi essa “indicação” de Vinicius Eutrópio. Entendo que ele é jogador da Traffic, e tem que ficar nessa vitrine bizarra que é o Fluminense atual.

Eu só consigo lembrar de duas boas chances do Fluminense: uma cabeçada de Leandro Amaral, espalmada para escanteio por Neneca, que é muitíssimo melhor do que qualquer goleiro do Fluminense; e de uma falta cobrada com perigo por Conca, já no final da partida, também com linda defesa de Neneca.

Aliás, o time do Santo André tem outros jogadores interessantes, como a dupla de zaga, que é infinitamente melhor que a do Fluminense (principalmente o zagueiro Marcel); o lateral-direito Cicinho; e o volante Ricardo Conceição. É um time que sabe o que fazer em campo. Toca bem a bola, é consciente de suas limitações, logo procura compactar, não dar espaços. Tem um Marcelinho que não precisa correr, mas coloca a bola onde quer e é um líder, cadenciando o ritmo do time jogar. E tem um treinador muito inteligente, que já havia feito um excelente trabalho na Ponte Preta, sendo vice-campeão paulista de 2008.

É time para ser campeão brasileiro? Óbvio que não. Mas vai dar trabalho para quem for bater de frente com eles, ainda mais considerando o péssimo nível técnico desse campeonato (e só isso justifica o porque de um Marcelinho Carioca fazendo alguma diferença).

Desse bando que jogou, eu só livro a cara de quatro jogadores: Ricardo Berna, que ainda salvou o time em alguns momentos, como em uma falta venenosa do Marcelinho e em um dos inúmeros contra-ataques que sofremos no segundo-tempo; Ruy, que fez sua estréia e tentou fazer alguma diferença (é o único jogador que tentou algum chute de fora da área); Conca, único jogador lúcido do time; e o Alan, que teve muito espírito de luta, vontade de vencer e garra, brigando sozinho contra pelo menos cinco defensores do Santo André.

O resto, foi simplesmente patético. Incluindo o queridinho Tartá. Esse daí, é mais um desses enganadorezinhos que pipocam no futebol brasileiro. Cheio de dribles inócuos, sem qualquer objetividade, jogando para a torcida o tempo todo. Não me recordo de uma partida onde ele tenha realmente feito a diferença para ser alçado ao status de “salvador da pátria”, como a imprensa eventualmente coloca e a maior parte da torcida acredita. Está há milhas de distância de jogadores como o Taison, do Inter, com características similares, mas um custo-benefício imenso e alta produtividade.

A equipe no desespero, e o que Parreira fez? O mesmo de sempre… demorou a tomar a decisão de soltar seu time. Marquinho, Tartá e Maicon entraram nos lugares de, respectivamente, Wellinton Monteiro, Carlos Eduardo e Leandro Amaral. Nada aconteceu. As melhores chances foram sempre do Santo André (Edcarlos, no primeiro tempo, chegou a salvar uma bola em cima da linha, ao ser encoberto por Elvis, aquele mesmo, que vive de um gol feito no Flamengo na final da Copa do Brasil de 2004).

Eu realmente não sei qual será a decisão da diretoria, mas acredito que é insustentável a manutenção de Carlos Alberto Parreira. Existe um mercado de treinadores aquecido, com opções como Muricy e o Luxemburgo, porém, também acho dificílimo que eles queiram se meter nesta barca furada que é o Fluminense atual, um time que tem toda a pinta de que vai cair, instável politicamente e com ingerências de todos os lados.

Estamos na zona de rebaixamento. Como havia antecipado na coluna do jogo contra o Avaí, julho será um mês muito difícil…

Saudações Tricolores.

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