Archive for julho, 2009
Fluminense 0 x 1 Santo André – Paudurescência Zero!
Torcida Tricolor,
Sempre antes de algum campeonato que o Fluminense vai disputar, eu pego a tabela e vejo algumas partidas que são “três pontos garantidos”. Este jogo contra o Santo André, em casa, eu achava que fosse. E não foi…
O que falar de um adversário que mais parece um time de showbol do que um time profissional? Uma equipe que tem um volante de 42 anos de idade. Um meia-atacante de 39 anos. Um lateral-esquerdo chamado Gustavo Nery e um atacante chamado Rodrigo Fabri?
Pois é… e perdemos para esse time. Perdemos uma partida cujo gol sofrido foi contra (e um dos gols contra mais bisonhos que eu já tive a infelicidade de ver). Um jogo que poderíamos continuar jogando até a eternidade, e não seríamos capazes de marcar um mísero gol.
O time do Fluminense é um time sem alma. O grande guitarrista-vocalista-compositor Lobão cunhou um termo chamado “paudurescência”. Significa vontade de ter ou conquistar algo. É o tesão. Coisa que esse bando aí que nos representa, incluindo a diretoria e patrocinador, não têm. Ninguém tem vontade de ganhar. Não tem um infeliz para “botar o pau na mesa”, chamar a responsabilidade e fazer esse bando jogar. Em bradar: “isso aqui é Fluminense!!!” e atropelar esses “Santo Andrés e Barueris da vida”, que vêm aqui no Rio de Janeiro e não tomam mais o mínimo conhecimento da gente.
Levar (ou fazer) um gol como aquele, aos 3 minutos de jogo, faz qualquer um broxar (já que estou aqui fazendo inúmeras alusões eróticas…). Quando Cicinho, bom lateral-direito deles, disparou e cruzou para trás, buscando o esforçado centro-avante Nunes, eu esperava ver alguém dando um chutão e espanando o perigo. Mas aí, Wellington Monteiro resolveu “participar” do lance, a bola quicou em um defeito do péssimo gramado do Engenhão, e a canelada do nosso “jogador” pegou um efeito inesperado, matando Ricardo Berna.
Se já seria difícil romper uma retranca de um time muito bem armado pelo competente treinador Sergio Guedes, perdendo de 1×0 logo no início da partida, do jeito que foi, assinou nossa sentença. Um time que não tem jogadas pelas laterais, atua com 3 volantes (Wellington Monteiro, Diguinho e esse suposto meia-direita, que é um Cicero cem vezes mais lento, chamado Carlos Eduardo) e apenas um meia de criação responsável pela ingrata missão de armar todas as jogadas ofensivas, tem mesmo que sofrer, e muito.
O pior, é aguentar o descompromisso de um jogador como o Leandro Amaral. E a passividade e leniência de um ex-treinador em atividade, como Carlos Alberto Parreira.
É um time sem o mínimo padrão de jogo. Que busca nas individualidades a esperança em se resolver uma partida. O lateral Ruy, que fez sua estréia nesta partida, não foi mal. Pelo contrário, deu uma opção que não tínhamos pelo lado direito. Mas ainda é muito pouco,pois o time não tem jogada nenhuma pela esquerda. Continuar insistindo com o medíocre João Paulo é prosseguir com uma equipe desequilibrada taticamente.
Nosso meio-campo não protege uma dupla de zaga que marca mal demais e é lenta, além de ser fraquíssima no jogo aéreo. Diguinho não é nem sombra do jogador dinâmico, que era o pulmão do meio-campo do Botafogo em 2007/2008. Criaram este Carlos Eduardo, que veio do Ituano como promessa, mas que ninguém nunca sequer lembrou de uma grande partida deste jogador. Fraco, lento, mole, não chuta a gol, não arma jogadas, marca mal, enfim, eu realmente não entendi essa “indicação” de Vinicius Eutrópio. Entendo que ele é jogador da Traffic, e tem que ficar nessa vitrine bizarra que é o Fluminense atual.
Eu só consigo lembrar de duas boas chances do Fluminense: uma cabeçada de Leandro Amaral, espalmada para escanteio por Neneca, que é muitíssimo melhor do que qualquer goleiro do Fluminense; e de uma falta cobrada com perigo por Conca, já no final da partida, também com linda defesa de Neneca.
Aliás, o time do Santo André tem outros jogadores interessantes, como a dupla de zaga, que é infinitamente melhor que a do Fluminense (principalmente o zagueiro Marcel); o lateral-direito Cicinho; e o volante Ricardo Conceição. É um time que sabe o que fazer em campo. Toca bem a bola, é consciente de suas limitações, logo procura compactar, não dar espaços. Tem um Marcelinho que não precisa correr, mas coloca a bola onde quer e é um líder, cadenciando o ritmo do time jogar. E tem um treinador muito inteligente, que já havia feito um excelente trabalho na Ponte Preta, sendo vice-campeão paulista de 2008.
É time para ser campeão brasileiro? Óbvio que não. Mas vai dar trabalho para quem for bater de frente com eles, ainda mais considerando o péssimo nível técnico desse campeonato (e só isso justifica o porque de um Marcelinho Carioca fazendo alguma diferença).
Desse bando que jogou, eu só livro a cara de quatro jogadores: Ricardo Berna, que ainda salvou o time em alguns momentos, como em uma falta venenosa do Marcelinho e em um dos inúmeros contra-ataques que sofremos no segundo-tempo; Ruy, que fez sua estréia e tentou fazer alguma diferença (é o único jogador que tentou algum chute de fora da área); Conca, único jogador lúcido do time; e o Alan, que teve muito espírito de luta, vontade de vencer e garra, brigando sozinho contra pelo menos cinco defensores do Santo André.
O resto, foi simplesmente patético. Incluindo o queridinho Tartá. Esse daí, é mais um desses enganadorezinhos que pipocam no futebol brasileiro. Cheio de dribles inócuos, sem qualquer objetividade, jogando para a torcida o tempo todo. Não me recordo de uma partida onde ele tenha realmente feito a diferença para ser alçado ao status de “salvador da pátria”, como a imprensa eventualmente coloca e a maior parte da torcida acredita. Está há milhas de distância de jogadores como o Taison, do Inter, com características similares, mas um custo-benefício imenso e alta produtividade.
A equipe no desespero, e o que Parreira fez? O mesmo de sempre… demorou a tomar a decisão de soltar seu time. Marquinho, Tartá e Maicon entraram nos lugares de, respectivamente, Wellinton Monteiro, Carlos Eduardo e Leandro Amaral. Nada aconteceu. As melhores chances foram sempre do Santo André (Edcarlos, no primeiro tempo, chegou a salvar uma bola em cima da linha, ao ser encoberto por Elvis, aquele mesmo, que vive de um gol feito no Flamengo na final da Copa do Brasil de 2004).
Eu realmente não sei qual será a decisão da diretoria, mas acredito que é insustentável a manutenção de Carlos Alberto Parreira. Existe um mercado de treinadores aquecido, com opções como Muricy e o Luxemburgo, porém, também acho dificílimo que eles queiram se meter nesta barca furada que é o Fluminense atual, um time que tem toda a pinta de que vai cair, instável politicamente e com ingerências de todos os lados.
Estamos na zona de rebaixamento. Como havia antecipado na coluna do jogo contra o Avaí, julho será um mês muito difícil…
Saudações Tricolores.
Corinthians 4 x 2 Fluminense – A Sacanagem Institucionalizada
Torcida Tricolor.
A coluna é longa. Agradeço pela paciência de quem chegar ao final.
Não perdemos este jogo no apito final do patético árbitro Heber Roberto Lopes. Sequer perdemos quando Ronaldo pegou um rebote do goleiro Ricardo Berna, de perna direita, colocando uma bola com um certo grau de dificuldade no ângulo esquerdo de nossa meta. E nem perdemos quando Fred foi expulso (recebeu diretamente o cartão vermelho) ao xingar o árbitro após receber uma falta clara na entrada da área (que teria grandes chances de ser convertida, representando um empate em uma partida a qual estávamos perdendo por 3×0 até os 27 minutos do 2º tempo).
Começamos a perder esta partida no ano de 1986, quando, no escândalo das Papeletas Amarelas, sendo prejudicados no “jogo da Dengue” contra o Americano, em Campos, e deixando escapar o tetra-campeonato carioca para o trio Flamengo/Eurico Miranda/Eduardo Vianna “Caixa D´Água”. Quando fomos eliminados nas quartas-de-final do Brasileiro de 1986 ao perdermos para o São Paulo dentro do Morumbi por 2×0, em um jogo que nossos atletas, ao se machucarem e serem retirados de maca, eram lançados ao chão pelos maqueiros do time paulista, e as bolas sumiam após o adversário conseguir sua vantagem. E quando deixamos de ser parte da polarização do futebol carioca, perdendo espaço para o Vasco e virando freguês deles ao longo dos mais de 20 anos seguintes.
Continuamos a perder esta partida quando, administração após administração, começou o processo de terra arrasada, capitaneado por Fabio Egypto, que desmontou todo aquele maravilhoso time de 1983-85; o túmulo veio sendo aberto por Ângelo Chaves e a polítcia do “Bom, Bonito e Barato”, Arnaldo Santhiago (e o vexame da eliminação das semi-finais do Brasileiro de 1995, o “jogo da cachaça”), Gil Carneiro de Mendonça (”herói do primeiro rebaixamento) e Álvaro Barcellos (”bi-rebaixado e “homem do champagne”).
Perdemos um título da Copa do Brasil dentro de Porto Alegre, em 1992, no apito, sem falar no bi-vice Carioca de 1993-94, quando Eurico brincou de meter a mão na gente. Fomos tri-rebaixados onde, de vítimas, viramos vilões, por um pífio gerenciamento de imagem (até hoje o episódio do champagne é lembrado por todos, com aquele velho lema de que “o Fluminense precisa cair novamente para cumprir o que está devendo…”).
Veio David Fischell, o resgate parcial do fundo do poço, mas nada sustentável. A escassez de títulos (a invenção do São Caetano naquela derrota sofrida, mais uma, dentro do Maracanã em 2000 e a eliminação da Copa do Brasil em 2002 para o Brasiliense também no Maracanã doeram muito…), porém, com o fator positivo do fechamento de um contrato de patrocínio a longo prazo e de certa forma vantajoso e o estabelecimento da estrutura de Xerém e a revelação de alguns jovens talentos (que teriam revertido ao clube títulos e dinheiro, se tivessemos tido gente competente na administração).
E agora estamos no segundo “desmandato” Horcades, responsável por colapsar todo um tênue trabalho de resgate e, mesmo tendo sucessivamente um “budget” de patrocínio importante em nível nacional, conseguiu a façanha de perder, até, o domínio de títulos regionais para o grande rival (eu sei, há controvérsias…). Viramos motivo de chacota nacional pelo nosso “representante” ser uma Ofélia, que abre a boca e fala as mais indesculpáveis asneiras. Um rei bufão. A repugnância em forma de ser humano. O nosso símbolo, nosso representante, infelizmente…
Somos roubados, jogo após jogo, indeferentemente se a partida é dentro ou fora de nossa casa, ou se o adversário tem ou não uma camisa importante no cenário nacional. Estamos na mão do patrocinador, da Rede Globo, da Federação do Rio de Janeiro, da CBF e da mídia em geral. Não temos nenhuma representatividade. O torcedor do Fluminense é um grande abnegado, acreditando no dia de amanhã dentro de uma estrutura caótica, apodrecida.
Ontem, não perdemos quando a Rede Globo obrigou-nos a entubar uma mudança de data, mesmo contrariando o Estatuto do Torcedor. Pegaríamos o Corinthians cheio de cachaça nos cornos… E fomos meros atores coadjuvantes de uma patuscada onde, desculpem-me o termo chulo, “vestimos a fantasia de cú na festa de pica grossa”. Mas as Organizações Globo nos têm na mão, pois já pegamos importante valor emprestado para pagamento das inúmeras dívidas trabalhistas, sem falar nos adiantamentos de cotas televisivas (salvo engano, as cotas do ano de 2010 já estão integralmente comprometidas). E como negociar melhorias no contrato, como uma verba igual ou maior do que o Santos, mesmo com indicadores como compra de pacotes PPV, média de renda/público e festas maravilhosas como a da Libertadores 2008 se estamos com o ”pires na mão”? E esse contrato de fornecimento de material esportivo abjeto que temos com a Adidas, que nos paga, pelo menos, três vezes menos que o Palmeiras (e nem fiz a comparação com o que o Flamengo vem ganhando nesse contrato com a Olimpikus…)?
O cenário estava todo montado… feriado em São Paulo no dia seguinte, chance de bom público e de excelente índice de IBOPE na transmissão pela TV aberta para o Brasil todo (menos para MG, apesar de um jogo de final de Libertadores entre Cruzeiro x Estudiantes de la Plata no mesmo momento). Corinthians recém campeão da Copa do Brasil, no trabalho de resgate, onde o time ficou no “colo” da mídia e subiu conquistando a Série B de 2008 com umas 10 rodadas de antecedência. E o “carinho” aumentou com a contratação megalômana do Ronaldo e a conquista do título invicto do Paulista de 2009. A benção do presidente (???) Lula, corinthiano famoso, populista ao extremo, que levantou taça, deu beijo no Ronaldo e até “contatos de empreiteiras amigas está ajeitando para beneficiar seu time do coração”, mostrando que, neste país, o público e o privado se intercalam, se misturam, e nada acontece para impedir (obviamente, o Fluminense é o único time o qual as “benesses da viúva” não chegam: Flamengo, Vasco e Botafogo têm ou tiveram patrocínios e imóveis cedidos pelo bem público).
É a Sacanagem Institucionalizada. Ninguém nem se preocupa mais em esconder suas preferências. Independente de cargo, posição, status ou poder.
O momento que mais me envergonhou foi a tal “entrega de faixas”. Essa diretoria medíocre pode ter memória fraca, mas eu não tenho. Lembro bem demais quando, no ano passado, depois de ter sido humilhado por Thiago Neves no “Fla-Flu do Créu”, Cristian comemorou bastante a perda do nosso título. Antes, ele já havia colaborado para outra das corriqueiras humilhações que passamos nos últimos 25 anos, que foi a perda da Copa do Brasil de 2005 para o “possante” Paulista de Jundiaí, dentro de São Januário, com a faixa “Obrigado Eurico” carregada pelo “amigo” Horcades. Aquele mesmo Eurico que dizia que “não pagaria bicho para vitória do Vasco contra um time da terceira divisão”. Título este perdido porque o Fluminense não teve a mínima força política para liberar Arouca e Diego Souza, metade de seu meio-campo titular, de uma competição mundial de empresários Sub-20.
E lembro também do que disse o medíocre Alessandro, um lateral-direito de carreira opaca, que teve a cara de pau de dizer que “jogar no Maracanã contra o Fluminense era como estar em campo neutro, e que as únicas torcidas que fazem alguma diferença são a do Flamengo e a do Corinthians.” Pois bem… os imbecis dos torcedores lotaram o Maracanã, e viram um time apático entregar o ouro.
Vendo os nossos jogadores entregarem as faixas ao Corinthians,senti, se é que pode se sentir dois sentimentos tão antagônicos ao mesmo tempo, resignação e revolta. Esse papo de fidalguia que sempre esteve relacionado com a nossa postura, há muito mudou de nome. Fidalguia virou Passividade. Quem aceitou isso? Quem aceitou colocar faixa no Cristian e no Alessandro? Quem aceitou a promiscuidade dessas condições para esta partida? Será que algum jogador, com culhão, reclamou disso? E se reclamou, qual o posicionamento da diretoria? Isto também foi imposição da Rede Globo? Somos tão subservientes assim?
E o que falar de Heber Roberto Lopes e os dois assistentes? Ou melhor: o que falar da arbitragem em geral nos jogos do Fluminense, não só neste brasileiro, mas pelo menos nos outros dois? Caminhamos gloriosamente para o tri-campeonato do clube mais prejudicado no Campeonato Brasileiro. Nas nove partidas jogadas, em pelo menos cinco delas fomos “tungados” (São Paulo, Barueri, Santos, Avaí e Corinthians). Somos o 15º colocado. Estamos atrás do Barueri e do Santo André. E ninguém põe a boca no trombone, como fez o grande dirigente Fernando Carvalho do Internacional, um presidente que mudou o rumo de um clube que caminhava para ser “mais um Fluminense”, e teve o peito de divulgar um DVD com erros de arbitragem a favor do Corinthians, deixando as periquitas de gente como Juca Kfouri e Chico Lang todas ouriçadas…
Só o Fluminense tem jogadores expulsos em lances que sofreram faltas. Como disse Washington, ano passado, “é fácil demais expulsar jogador do Fluminense”. Só contra o Fluminense não há o benefício da dúvida, e impedimentos de centímetros são marcados. É contra o Fluminense que gentinhas como José Roberto Wright clamam em rede nacional, virando verdade, que tal lance não houve falta, ou que tal cartão foi merecido. E é do Fluminense que hienas como Renato Maurício Prado vão rir após mais um insucesso, a apoteose da mediocridade.
O jogo? Começamos até bem, perdendo duas chances com Fred, que poderia ter tido mais frieza na hora de concluir. E tivemos um gol anulado por um joelho, o terceiro que Fred faz este ano contra o Corinthians, e o segundo invalidado de maneira discutível.
Mas a postura defensivista do Parreira, as aberrações Wellington Monteiro e Fabinho, com cordial ajuda de Diguinho, João Paulo e Mariano, o sanguessuga Leandro Amaral e o tresloucado Edcarlos, trataram de colocar as coisas mais fáceis pro time paulista. Diguinho errou um passe, deixou Cássio na podre, Douglas recebeu e meteu à feição para Ronaldo, com 110 kg, ganhar na corrida de Edcarlos e colocar na saída de Berna.
Depois, uma linha de passe dentro da área do Fluminense, lance que começou porque Edcarlos respeitou demais o Ronaldo e ao invés de rasgá-lo no meio, tirou o pézinho da dividida. Elias, Cristian e Dentinho trocaram passes de primeira e o Corinthians aumentou.
Faltava a humilhação completa, e Edcarlos tratou de ser esculachado com um drible primário de Ronaldo dentro de nossa área, em lance que iniciou com o ridículo Fabinho errando um passe de um metro de distância. 3×0 Corinthians. E eu rezando, mesmo sendo ateu, para o primeiro tempo terminar.
Eu olhava para as imagens de Carlos Alberto Parreira, e via um perfeito pateta, batendo com uma mão na outra, meio que atônito, sem saber o que fazer. Esperava soluções imediatas, com substituições antes de terminar o primeiro tempo. Engano meu… as mexidas do Fluminense só aconteceram aos 25 minutos do 2º tempo. Eu devo ser um completo ignorante, futebolisticamente falando… afinal, Parreira deu uma entrevista dizendo que com o Corinthians é “erro zero”. Poderia ter feito uma auto-crítica e pensado: “como poderei eu ter erro zero, se tenho uns seis jogadores a menos em campo, sem qualquer condição de vestirem a camisa do Fluminense???”.
Teve um momento em que o time teve perto de 70% da posse de bola. E estava 3×0 Corinthians. O que pensar disso? O que pensar de um time burocrático, covarde, que toca bola para o lado e para trás, porque não tem qualidade para fustigar o adversário, para adiantar uma marcação, marcar uma saída de bola, trocar passes de primeira e em velocidade, chegar UMA bolinha só na linha de fundo e acertar um cruzamento? Jogadores omissos, descompromissados, que se acabam na noite. Prostitutas.
No segundo tempo, o Corinthianse o Fluminense mantiveram-se atrelados a um script (já que falamos tanto em Rede Globo, porque não falar de novelas?) que nem uma Janete Clair poderia ter escrito: para dar uma sensação de emoção, o Corinthians reduziu o ritmo de tal maneira que o Fluminense foi capaz de reagir. O desinteresse e a auto-suficiência com que o time paulista jogou toda a etapa complmentar foram um atestado de humilhação para nós, torcedores. Parece aquelas peladas que um time é tão mais forte que o outro, e se dá ao luxo de querer dar caneta, dar toquinho, rebolar, não chutar quando se tem condições… e o time mais fraco vai se empolgando até endurecer a partida.
Quase empatamos. As entradas de Marquinho, Carlos Eduardo e, principalmente, Alan, foram determinantes para um novo gás. Conca fez um golaço e apareceu muito porque passou a ter companhia. Por um erro de atuação dos “atores” árbitros, o gol de Conca não foi invalidado, já que Heber Roberto Lopes, corretamente, mandou seguir a bola que Conca meteu para ele mesmo, driblando toda a defesa adversária. O bandeira? Ah, o bandeira… levantou seu instrumento de trabalho, claro. Heber não se deu conta, que erro crasso! Alguma coisa teria que ser feita, porque logo depois, Alan após enfiada sensacional de Conca, driblou Felipe, tentou cruzar para Fred mas um pé providencial corinthiano meteu para dentro. E, antes, Marquinho havia perdido um gol impossível, ao chutar meio “mascado”, em cima do zagueiro rival, uma bola que tinha tudo para entrar.
O resto da história (ou do script), a gente já falou aqui. Veio a expulsão do Fred, os comentários do Wright, a parcimônia do Caio, do Junior e do Luis Roberto, as câmeras focando de maneira a fazermos a leitura labial do nosso atacante xingando o árbitro que, lépido e faceiro, não pensou duas vezes em aplicar o cartão vermelho, coisa que não fez no primeiro tempo quando André Santos xingou o bandeira de tudo que foi nome e recebeu um mísero cartão amarelo. Nunca o pró-Fluminense. Ese expomos isso, viramos “botafoguenses-chororôs”.
E o gol do Ronaldo, o grand finale, para sacramentar o resultado, fazê-lo capa de todos os jornais pelo “hat trick” realizado, aumentar IBOPE de O Globo, do site, do Globo Esporte, etc… esse é o roteiro que a gente, que torce para o Fluminense, vem se acostumando a ver.
Ser Fluminense, hoje, é participar, ao vivo e a cores, de um drama em três cores.
Saudações Tricolores e envergonhadas.