Archive for junho, 2009

Fluminense 0 x 0 Flamengo – 90 minutos a menos de vida

Torcida Tricolor,

Literalmente, foi uma grande perda de tempo (fazendo uma alusão ao título do post). Gastei quase toda a noite do meu domingo assistindo ao pior Fla-Flu da história (pelo menos, da minha história como torcedor…). Um jogo o qual a tônica foi o medo. Medo de atacar, medo de se expôr, medo de arriscar e, principalmente, o medo dos dois treinadores de perderem seus cargos, já que dois treinadores “top” estão disponíveis (Luxemburgo e Muricy).

Não que eu ache que o Parreira, a essa altura da vida profissional, tenha tanto apego assim a seu cargo. Porém, como tricolor que é e envolvido, indiretamente, nesta briga política que vivenciamos no Fluminense, ele está metido no cabo-de-guerra entre Horcades e Celso Barros. E, junto dele, estamos nós, torcedores, sofrendo com uma temporada que tinha tudo para ser brilhante, mas que, de início, já se revelava um fracasso. Então, se há algum amor do Parreira ao cargo, é para se manter um projeto que ele julga primordial, que é o estabelecimento de uma estrutura sólida para o futebol profissional. E, sem Parreira e sua “grife”, as chances de se ter um encaminhamento neste sentido a curto prazo diminuem muito para nós, tricolores…

Foi um jogo de intermediária. Jogo de “perde-e-ganha”: o círculo vicioso de passes errados, roubadas de bola e mais passes errados. Um jogo o qual os goleiros praticamente não trabalharam. Um jogo que, curiosamente, tinha em seu grande chamariz o duelo Adriano x Fred. E que terminou em um 0×0 melancólico.

O Fluminense não consegue fazer gols. Continua sendo o pior ataque do campeonato, em oito rodadas, e a terceira melhor defesa, com apenas 8 gols sofridos (descontando o “ponto fora da curva” que foi o 4×1 para o Santos, a média é muito boa, sendo que em 5 partidas – São Paulo, Barueri, Botafogo, Grêmio e Flamengo – não fomos vazados). E, batendo na mesma tecla, porque temos um desequilíbrio crônico, que é um meio-campo sem a “propulsão” necessária para descolar o time de trás e fazê-lo chegar, de forma compacta, à frente.

E, colcoando o dedo ainda mais na ferida, falta também pararmos de passarmos a mão na cabeça de jogadores como o Conca, que mais uma vez aceitou a marcação feita pelo Toró (???) e apareceu pouquíssimo em campo, tendo sido justamente substituído por Alan. 

A proposta de Parreira era trancar o jogo, cercar Ibson e evitar os deslocamentos  dos alas Juan e Léo Moura. Forçando o afunilamento do jogo, a marcação à dupla de ataque rubro-negra, principalmente em cima do Adriano, estaria facilitada. A estratégia de defesa era realmente boa. O problema é fazer o time atuar de forma competente também no ataque, já que Cuca, que não é bobo, colou o Williams no Thiago Neves e o Toró no Conca, matando toda a nossa criação e isolando Fred entre os zagueiros Welinton e Fabrício.

Como nossos dois laterais são extremamente limitados e medrosos (João Paulo até fez uma partida razoável, mas poucas vezes passou do meio campo, e Mariano morreu de medo de deixar uma avenida a ser explorada pelo Juan, assim como aconteceu na final da Taça Rio, e também pouco se projetou, principalmente no segundo tempo), e os demais componentes do meio tricolor têm características mais defensivas que ofensivas, o jogo ficou ”trancado” na maior parte do tempo, e o 0×0 foi até um placar previsível (importante ressaltar a mudança em cima da hora no Fluminense, com a entrada de Fabinho no lugar de Marquinho, desde o início).

O Fluminense foi melhor no primeiro tempo, principalmente nos vinte primeiros minutos. O time estava mais encorpado do que das outras vezes, e Diguinho dominava o setor de meio-campo, anulando Ibson. Em uma tabela muito bonita entre Conca e Fred, o atacante tricolor ao invés de rolar de lado, no último passe para nosso meia, resolver bater em gol, sem muita direção (não seria a única vez que a tal “individualidade do artilheiro” iria se voltar contra nós mesmos). Edcarlos também perdei uma boa oportunidade, ao receber pelo lado esquerdo e chutar forte, para uma difícil defesa de Bruno (no prosseguimento da jogada, não tivemos nenhum jogador pronto para pegar o rebote).

O Flamengo só chegou em três situações, duas das quais muito mais relacionadas ao acaso: Everton foi cruzar uma bola pela esquerda, que bateu em Edcarlos e descaiu dentro do gol tricolor. Mas, felizmente, Ricardo Berna estava atento e fez uma difícil defesa, espalmando para escanteio; em outro lance, uma bola centrada para a área foi cabeceada por Adriano, tentando encobrir Berna: nosso goleiro anteviu o lance, se antecipou e, como um gato, saltou bloqueando a bola no ar (que diferença para Fernando Henrique, que possivelmente sequer sairia do gol…).

A chance mais perigosa do Flamengo foi em uma jogada entre Emerson e Ibson. Um contra-ataque que pegou, mais uma vez toda nossa defesa em linha, um pouco depois do meio-campo. Adriano, em impedimento, saiu do lance negando participação, e Ibson arrancou perseguido por Wellington Monteiro. No momento em que o jogador rival se preparava para finalizar na frente de Berna, nosso volante deu uma desequilibrada providencial (foi na base da experiência) no rubro-negro, que chutou para fora.

Fred ainda teria uma ótima chance, após um lançamento sensacional de Thiago Neves, que colocou a bola no peito do atacante tricolor. Porém, Fred demorou um pouco para finalizar e, acossado pela dupla de zaga rubro-negra, acabou chutando para fora.

Falando em Thiago Neves, esta foi a sua última partida com a camisa tricolor. Irá para a Arábia Saudita, atuar pelo Al-Hilal. Mostrou um pouco mais de disposição, tentando algumas jogadas individuais e aparecendo mais para o jogo. Mas é impressionante a falta de qualidade nas bolas paradas. Sejam escanteios ou faltas, o aproveitamento dos jogadores do Fluminense é péssimo (não sei aonde o Fred inventou que sabe bater faltas…). Enfim, Thiago Neves não estava jogando absolutamente nada, e com a contusão de Leandro Amaral (voltou a se queixar de bloqueio articular no joelho recém operado, e nem ficou no banco nesta partida…), o ideal seria se testar algum velocista (Kieza não seria uma boa opção?) para tentar movimentar o time na frente, abrindo espaços.

No segundo tempo, o Flamengo alugou meio-campo. O Fluminense recuou muito e cedeu espaços, levando uma pressão que não precisaria ter acontecido. Mesmo assim, no início da etapa complementar, em uma tabela entre Fred e Edcarlos, nosso atacante, ao invés de deixar o zagueiro na cara do gol, preferiu chutar, torto, para fora, perdendo, talvez, a melhor chance do Fluminense no jogo. 

Dali em diante, o Flamengo mandou na partida. Ricardo Berna quase estragou sua boa atuação com duas besteiras: a primeira, ao sair caindo na bola antecipando Adriano, deslizou e acabou soltando no pé de Emerson que driblou-o e bateu fraco, para Edcarlos salvar em cima da linha. Depois em uma saída errada do gol, onde catou borboleta, a bola cruzou toda a área e Ibson cruzou para a cabeçada de Adriano que, atrapalhado por Luiz Alberto (e fazendo falta em nosso zagueiro) cabeceou por cima.

Mas Berna faria bonita defesa em chute de longe de Ibson e, em escanteio, Fabrício quase marcou para o rival em um cochilo da zaga, quepermitiu o toque de cabeça de Adriano para o meio da pequena área (o zagueiro do Flamengo testou para fora).

Mais duas chances para o Flamengo aconteceram na segunda metade do segundo tempo: um chute forte de Emerson para defesa difícil de Berna, e um cruzamento de Juan onde a bola cruzou toda a área, veio a finalização de Léo Moura já dentro da pequena área, e uma difícil defesa de Berna (na hora, achei que a bola tinha batido na trave).

Os treinadores resolveram mexer por volta dos 35 do 2º tempo (o medo de ousar…). Cuca colocou Petkovic, e deu pena do gringo. Não é nem um fiapo daquele jogador insinuante, habilidoso, que foi… a entrada dele, na verdade ajudou o Fluminense, pois quebrou a velocidade de meio-campo que o Flamengo vinha impondo. Parreira respondeu colocando Alan no lugar de Conca e Marquinho no lugar de Wellington Monteiro. Logo depois, Cuca tirou Léo Moura e colocou Everton Silva na lateral direita.

Na prática, nenhuma das substituições surtiu algum efeito. Alan ainda conseguiu sofrer uma falta, pateticamente cobrada na barreira (mais uma…) por Thiago Neves. Bruno também mandou por cima uma falta quase na meia lua, em uma jogada a qual Emerson, que vinha atrás, conseguiu passar no meio de Edcarlos e João Paulo, lembrando o gol de Muriqui na partida contra o Avaí (nosso zagueiro levou cartão amarelo e, vale a pena ressaltar, felizmente o árbitro Sálvio Spindola nos deu uma ajuda, dando o terceiro cartão em Luiz Alberto, ainda no primeiro tempo, e tirando-o do jogo contra o Corinthians).

Marquinho ainda arrumou tempo para ser driblado por Ibson dentro da grande área (impressionante como esse jogador não consegue fazer uma partida decente…), que invadiu e bateu cruzado. A finalização, mesmo em impedimento, de Adriano, simbolizou o que foi a partida: um toque patético, quase que pisando na bola, com o gol aberto, foi o momento “bola murcha” de um jogo que pretendia ser um duelo de dois grandes atacantes, de nível mundial, mas que representou tão somente o “mais do mesmo” que estamos nos acostumando a ver não só em clubes, mas em seleções: a tendência da “superpopulação” dos meio-campos, com três cabeças de áreas em cada time, e um nível técnico baixíssimo.

O medo venceu a esperança, como diria Regina Duarte… agora só voltamos a campo no dia 08/07. Esperamos que Parreira solucione o problema na frente. Continuamos patinando no campeonato, estamos em 13º lugar, 3 pontos do “G-4 do bem”, mas apenas 2 pontos do “G-4 do mal”… e a tabela nos reserva, para o mês de julho, quatro partidas fora (contra Corinthians, Internacional, Atlético-MG e Palmeiras) e três em casa (Santo André, Goiás e Cruzeiro).

Ou a gente se mexe, ou estaremos entrando em agosto com o time na zona de rebaixamento, e com um novo treinador…

Saudações Tricolores!

Avaí 3 x 2 Fluminense – A triste sina do “carro à álcool no frio”

Torcida Tricolor,

Se eu tivesse sido monitorado com aqueles aparelhos para verificar a freqüência cardíaca (como muitas vezes vemos nesses “Big Brothers da vida”), os resultados apresentariam, basicamente, quatro picos perigosos, que até poderiam ser interpretados como a iminência de algum problema cardíaco: o segundo gol do Avaí, o empate do Fluminense, a expulsão do Maurício e o terceiro gol do Avaí.

Além da iminência de um prejuízo à saúde, também estive no limiar de ter prejuízos materiais, porque faltou pouco para que o terceiro controle da Net se espatifasse contra a parede após o gol de Léo Gago, aos 48 minutos do segundo tempo. Seria o segundo controle remoto no ano, porque o primeiro foi animalescamente destruído no terceiro gol do Duque de Caxias, na Taça Guanabara (aquela derrota de 3×2, após estarmos ganhando de 2×0, com três gols sofridos em dez minutos).

Logo, é fato que ser torcedor do Fluminense nos últimos tempos está me trazendo alguns “custos fixos”. E é preocupante isso, pois o céu de brigadeiro anda bem longe da área das Laranjeiras, continuamos patinando no campeonato e a chance de acumular aquela “gordura” necessária para se dar ao luxo de ter-se resultados inesperados lá para o meio/fim da temporada diminui a cada rodada.

Não estava escrita, em meus prognósticos, essa derrota para o Avaí. Um time cuja última vitória em um Campeonato Brasileiro da Série A aconteceu há mais de 30 anos e que em seis rodadas acumulava três empates em casa (contra o Atlético-MG, após estar vencendo por 2×0; o São Paulo e o Coritiba) e que vinha de derrota para o Barueri (após ter aberto o placar e dominado a maior parte do jogo) seria um adversário “encrespado”, mas desesperado. E controlar o início da partida seria fundamental para nossas pretensões. Feito isso, a vitória estaria bem encaminhada.

Pois o que aconteceu? Existem frases que são verdadeiros dogmas do futebol. E uma delas diz: “os quinze primeiros minutos são fundamentais para o time que joga fora de casa conseguir segurar a pressão e se estabelecer na partida contra o mandante”. Quebrar um dogma é quase que assinar a sentença de morte. E o Fluminense levou o primeiro gol aos 13 minutos, e o segundo gol aos 15 minutos do primeiro tempo. Realmente, não se contraria uma verdade respaldada na tradição de um esporte de cerca de 150 anos…

A escalação do Fluminense basicamente repetiu a formação do jogo contra o Grêmio: Ricardo Berna, Diogo, Luiz Alberto, Edcarlos e Augusto (este foi a novidade, entrando no lugar de João Paulo); Wellington Monteiro, Diguinho, Marquinho e Conca; Fred e Thiago Neves. No banco, o retorno de Mariano (após contusão muscular no jogo contra o Santos e Leandro Amaral, que chegou a ser ventilado como possível titular, com o recuo de Thiago Neves).

O Avaí veio com um desfalque, o zagueiro Emerson, expulso contra o Barueri. Tem em Marquinhos que é o líder e cérebro da equipe, um jogador rodado, que chuta bem de fora da área e coloca a bola onde quer. Conta ainda com Muriqui, nosso velho conhecido, e um bom atacante chamado Luis Ricardo, que começou na Ponte Preta como boa promessa (um novo Luis Fabiano) mas acabou não estourando. Na defesa, conta com Eduardo Martini, ex-Grêmio e muito experiente, além de André Turatto, que jogou algum tempo no Brasiliense e o zagueiro Anderson Luiz, cria de Xerém.

Falando mais sobre seu treinador: Silas, o qual fiquei bem impressionado, para quem não recorda, foi um excelente meia, que começou no São Paulo no time dos “Menudos”, na metade dos anos 80. Um time que tinha um Falcão em final de carreira, Pita no meio-campo, Gilmar Rinaldi no gol, o grande Dario Pereyra na zaga, Nelsinho na lateral-esquerda e um ataque mortal com Sidney, Careca e Muller; depois, Silas conseguiu uma façanha, que foi ser craque na Argentina, ganhando um campeonato nacional pelo San Lorenzo, além de jogar duas Copas do Mundo em 1986 e 1990. Silas subiu com o Avaí da Série B para a Série A, depois do clube catarinense passar anos “batendo na trave” e ver seu rival Figueirense se consolidando como principal time do Estado. O vento virou, o Avaí subiu, o Figueirense caiu, e o time azul e branco ganhou, inclusive, o Campeonato Catarinense deste ano. É uma novidade que promete trazer muita dor de cabeça aos grandes clubes do Brasil, principalmente atuando no Estádio da Ressacada.

Falando sobre o jogo, o começo era bem o que se esperava: um Avaí animado por jogar em casa e pelo apoio da torcida, vindo para cima do Fluminense, que até controlava bem a partida (uma bola lançada pelo lateral-direito Ferdinando, nas costas de Augusto, alcançou Muriqui, logo no início do jogo, que cruzou para Luis Ricardo se antecipar a Diogo e chutar por cima, perigosamente).

A resposta do Fluminense foi rápida: em um contra-ataque, Thiago Neves passou a Fred, que segurou e esperou a passagem de Conca, que, quase sem ângulo, chutou forte para defesa de Eduardo Martini. No minuto seguinte, Augusto conseguiu chegar a linha de fundo e cruzou, para Thiago Neves, sem goleiro e somente com um zagueiro atrapalhando, perder um gol feito cabeceando para fora.

Jogo animado, mas aí veio o apagão de todo o sistema defensivo do Fluminense. O lateral Uendel (aquele, que esteve no Fluminense no ano passado e só jogou em uma partida, sob comando de Renato Gaúcho, contra a Portuguesa, na derrota por 3×1 no Canindé) recebeu na lateral esquerda, fez a transição para o meio e meteu para Luis Ricardo, marcado por Wellington Monteiro e Luiz Alberto. O atacante brigou contra eles dois e mais Edcarlos, conseguiu proteger com o corpo e devolver a Uendel (Diguinho não conseguiu cortar o passe). Dando um “pause” no lance, a gente se pergunta: onde está o resto do meio-campo? Por que Marquinho assiste, impassível, a jogada transcorrer andando calmamente, muito longe da linha da bola? Por que Diguinho não conseguiu cortar e simplesmente parou, não acompanhando Uendel? Pois é… Uendel deu em Muriqui, já na risca da grande área, que entrou como um foguete entre nossos dois zagueiros que pareciam pregados no gramado (como são lentos…) e tocou na saída de Ricardo Berna. 1×0 Avaí e a certeza de fortes emoções…

O início da jogada do segundo gol parecia um replay do primeiro. A jogada começou quase na risca de meio-campo, também no lado esquerdo. Marcus Vinicius tentou o passe e foi abafado por Diguinho, mas a bola sobrou para Marquinhos, que, de chapa, bateu pelo alto para Lima matar no peito e prender os patéticos Edcarlos e Wellington Monteiro sem ser incomodado (a defesa do Fluminense só sabe cercar, é incapaz de diminuir espaços para que o atacante não domine e vire para ficar de frente para o nosso gol…). Lima deu a Uendel que tocou para Marquinhos, na entrada da área. O meia avaiano, assistido por Luiz Alberto, nosso comentarista que, com medo de tomar bolada, não chegou abafando, deu uma cacetada de direita que, de tão forte, apesar de ainda ter sido defendida por Ricardo Berna em seu contrapé, pegou um efeito e entrou mansa no fundo de nosso gol. 2×0 Avaí. Dois gols em três minutos. Uma partida comprometida…

O Fluminense tentou se reestabelecer na partida, após uma falta lateral cobrada por Thiago Neves, defendida no canto baixo por Eduardo Martini. O Avaí respondeu em uma bobagem do lateral Augusto que, ao dar um chutão, quase na nossa bandeirinha de escanteio, bateu na bola muito fraco, ela respingou e sobrou para Luis Ricardo que, tendo Luiz Alberto em sua frente (mais uma vez, o zagueiro só cercou, não deu o combate e veio recuando até dentro de nossa área, dando o lado direito para o atacante chutar), bateu sem ângulo de curva, de três dedos, a direita de Ricardo Berna.

Aos 42 minutos, quase que o Fluminense descontou. Em um contra-ataque, Fred viu Conca entrando nas costas da defesa e, trocando de função, fez a assistência para nosso meia bater em cima do goleiro Eduardo Martini, que saiu bem do gol para abafar. A bola subiu, o horroroso lateral Ferdinando deu uma canelada bisonha na bola, que pegou um efeito contrário, em direção do gol do Avaí. Porém, Conca, na disputa, empurrou o goleiro do Avaí, que derrubou o defensor do time catarinense. A bola acabou entrando, mas o gol foi bem invalidado. E o primeiro tempo ainda reservava mais um susto ao torcedor tricolor: uma bola rebatida pela defesa foi dominada pelo meio avaiano, que meteu nas costas de nosso lateralzinho esquerdo (não foi boa a estréia de Augusto) para Marquinhos. O jogador rival cruzou, a bola desviou em Marquinho (do Flu), pegou um efeito e foi cortada de maneira perigosa (tirando da cabeça do jogador do Avaí) por Diogo (que quase fez contra). O desastre do primeiro tempo, enfim, terminou, e Parreira teria muito trabalho no vestiário.

Estava claro que o problema crônico do meio-campo continuava. Diguinho não fazia boa partida, e Marquinho foi simplesmente inútil. A fraca defesa jogava desprotegida, expondo seu leque de erros e lentidão. Foi triste o primeiro tempo do trio Wellington Monteiro, Edcarlos e Luiz Alberto, que até podem funcionar, mas só se tiverem um meio-campo muito forte na marcação e dois laterais muito eficientes. Da maneira que está, em pouco tempo seremos uma das defesas mais vazadas do campeonato. E o “grupo da frente”, composto por Conca, Thiago Neves e Fred, pena para tentar jogar: quando a bola chega redonda no pé deles até que as jogadas saem, mas é difícil demais atuar bem nessa confusão tática que é o Fluminense atual.

Parreira mexeu no time, colocando Leandro Amaral no lugar de Marquinho, e Mariano no lugar de Diogo. Eu teria feito diferente. Teria sacado o lento Wellington Monteiro para a entrada de Mariano, trazendo Diogo para sua posição de origem, que é como primeiro homem de meio campo. Teríamos um jogador mais novo e mais forte na marcação (o diferencial de Wellington Monteiro que, aparentemente, o Parreira enxerga nele, que é o passe, eu, sinceramente, ainda não consegui ver…).

De qualquer maneira, o time foi outro, e veio com outra cara. Porém, nos três minutos iniciais, o Avaí teve duas grandes chances: em uma enfiada de Uendel, Muriqui chutou para defesa de Berna; e em contra-ataque rápido, Luis Ricardo recebeu nas costas de toda a defesa, pelo lado direito, tocando para o chute de Lima, a direita de Berna. O Fluminense corria riscos. Necessários, pois sim…

Logo depois, Thiago Neves perderia mais um gol da lista de gols imperdíveis, caso ele estivesse com sua cabeça de vento voltada exclusivamente para o time que tem contrato (e não para o próximo time que virá). Conca meteu uma bola sensacional, um lançamento de uns 30 metros de curva, no peito de Thiago Neves, que dominou e chutou mal, a esquerda de Eduardo Martini, cara a cara com o goleiro rival.

E aos 11 minutos, veio o gol do Fluminense. Mariano foi a linha de fundo, cortou pra dentro o marcador e cruzou de canhota. A bola veio ao encontro de Fred, quicando, e o nosso atacante dominou já batendo de “puxeta”. Ferdinando, do Avaí, se precipitou e colocou a mão na bola ao pular para tentar o corte (não sei ao certo se ela entraria). Penalti, convertido por Fred, com duas paradinhas. 2×1 Avaí.

Aí o Fluminense cresceu em campo e o Avaí sentiu o peso de jogar uma Série A (e a sensação de deja vù da entregada contra o Atlético-MG, na primeira rodada do campeonato). E o gol de empate foi lindo. Aos 15 minutos, Thiago Neves meteu uma bola sensacional para Mariano, que foi a linha de fundo e cruzou. Leandro Amaral escorou para o meio da área e Fred pegou de primeira, de canhota, acertando no canto de Eduardo Martini. Avaí 2 x 2 Fluminense. Da mesma maneira que o Avaí foi fulminante no primeiro tempo, o Fluminense não perdoou no segundo. E aquela velha pergunta se consolidou na cabeça do torcedor tricolor: por que não jogaram assim desde o começo?

Logo depois do empate, o Avaí teve uma boa chance: em assistência de Ferdinando, mais uma vez, em cima do lento Luiz Alberto, Muriqui passou de passagem e chutou forte, para defesa de Berna. O jogo entrou em um ritmo menos corrido, e as substituições começaram: Parreira colocou o medíocre Maurício no lugar de Augusto (não entendi até agora esta substituição, pois colocou um jogador limitadíssimo improvisado em uma posição que já é deficiente – se achava que Augusto não conseguiria agüentar os 90 minutos, que não tirasse o Marquinho ou levasse João Paulo para o banco). O Avaí foi para cima com três substituições ofensivas: a entrada dos atacantes William (que foi Campeão Brasileiro pelo Santos em 2004), Cristian (que há anos atrás teve uma excelente temporada pelo Paraná, mas não foi bem no Palmeiras) e Caio (que jogou no Flamengo após boa temporada pelo Paraná).

E aos 35 minutos, mais uma defesa espetacular de Berna: William foi lançado e ganhou na corrida dos lentos zagueiros do Fluminense, batendo na saída de Ricardo Berna, que fez uma defesa espetacular, espalmando para escanteio.

Nisso, Maurício resolveu que deveria ser um protagonista, e turbinou seu nível de mediocridade: primeiro, deu uma entrada desclassificante no jogador do Avaí em uma bola perdida, já na linha lateral, e levou um cartão amarelo (que deveria ter sido um vermelho direto). Depois, em um lance controverso, o qual eu acho que foi tocado pelo jogador do Avaí, caiu colocando a mão em cima da bola. Ora… as arbitragens costumam ser severas com o Fluminense. E com Paulo Cesar de Oliveira nunca foi diferente. Associado a falta de malandragem (ou excesso?) do jogador do Fluminense, quando Maurício colocou a mão na bola, o árbitro além de ter dado a falta contra o Flu, deu o segundo amarelo a Maurício, expulsando-o.

Este tipo de expulsão esquisita não é a primeira só neste campeonato: Dieguinho foi expulso por Leandro Vuaden, sem sequer ter cartão amarelo, em um lance onde nem fez falta em Madson, do Santos; e Luiz Alberto se estapeou com Derley do Náutico, em situação de no máximo um cartão amarelo para os dois atletas, mas foi expulso com rigor por Wilson Seneme (já que o jogador pernambucano já tinha o cartão amarelo, e seria expulso). Parafraseando Washington, após aquele absurdo das duas expulsões no Brasileiro do ano passado na derrota por 3×1 para a Portuguesa, no Canindé: “Está muito fácil expulsar jogador do Fluminense”.

Com um a menos, o time se assustou e recuou muito. Thiago Neves, inclusive, chegou a fazer as vezes de lateral-esquerdo. Com Diguinho morto, o meio-campo do Fluminense foi presa fácil ao domínio do Avaí, que se empolgou, e veio para cima.

Quando o jogo se encaminhava para um empate, até certo ponto bom para o Fluminense, dadas as conseqüências. Aos 47 minutos do segundo tempo, a bola era nossa. Conca recebeu na lateral-esquerda e, ao invés de fazer o que sabe, que é “esconder a bola” e gastar o tempo, deu um tijolo para Diguinho, acossado por dois jogadores do Avaí, dominar. Diguinho, ao invés de isolar a bola, forçou um passe em Leandro Amaral e errou, devolvendo a bola ao Avaí. Caio recebeu e tocou para Léo Gago, sem marcação. Ele recebeu um pouquinho depois do círculo central e veio carregando. Parou, pensou, olhou, mediu e, como ninguém chegou bloqueando, resolveu arriscar. Um chute de uns 40 metros de distância, daqueles que se acerta uma vez na vida, colocou a bola exatamente na furquilha, “onde a coruja dorme”. A bola ainda se chocou contra a trave, mas entrou forte, estufando a rede de Ricardo Berna. 3×2 Avaí, mais um jogo que perdemos pontos preciosos no final da partida…

É frustrante se perder um jogo nas condições desta partida. Começar perdendo por 2×0, conseguir o empate, e levar um gol nos descontos, em um chute espírita, é realmente desanimador. Mais uma vez, não jogamos bem, o time começou o jogo muito mal e gastou boa parte do jogo correndo atrás do resultado, desgastando-se fisicamente e psicologicamente. Um time que almeja uma colocação entre os quatro melhores, para a disputa da Copa Libertadores de 2010, precisa de muito mais do que vem apresentando. Enfrentamos dois times recém subidos para a Série A fora de casa, partidas as quais poderíamos ter saído com 4 pontos, ao invés de 1 ponto (empate com Barueri). E enfrentamos times que lutarão lá em cima, como Santos e Grêmio, em casa, onde em 6 pontos possíveis, também só conseguimos 1 ponto. O ataque é o menos positivo do campeonato, com 6 gols, e ainda não tivemos uma atuação sequer (o próximo de uma boa atuação foi a partida contra o São Paulo) que possa nos dar um alento.

Agora é Fla-Flu. Perdemos a semi-final da Taça Rio de maneira bisonha, ridícula, vergonhosa, e a torcida exige uma resposta. Vencer o clássico é primordial. Queremos resultados. E se eles não vierem, volta a pressão e a ameaça a Comissão Técnica (principalmente via Celso Barros).

Saudações Tricolores.

Muito prazer!

Torcida Tricolor,

É com muita satisfação que inicio, de certa forma, meu espaço dentro desse maravilhoso site Torcida Tricolor.

Digo que inicio de certa forma pois algumas colunas eram publicadas aqui, porém, quase a totalidade, acabou saindo nos DVD’s da revista digital, e acabávamos perdendo a agilidade e interatividade de se comentar uma partida do Fluminense dentro do “timing” necessário e adequado.

Com a home page revigorada, terei o compromisso e a responsabilidade grande de tentar criar este histórico. Ficarão registradas as lembranças daquela vitória maravilhosa sobre o maior rival, ou a raiva da derrota no último minuto.

Para todo jogo do Fluminense, haverá uma coluna que, definitivamente, não terá a arrogância de se achar dona da verdade e pedirá a troca de informações e opiniões de todos os colaboradores que quiserem participar deste espaço.

Aqui haverá parcialidade às coisas do Fluminense. Mas não haverá irracionalidade. Tentarei, eventualmente, discutir outros assuntos, que não os comentários das partidas (já que para todo o relacionamento, o ideal é que não se tenha aquela perigosa rotina…).

Enfim, espero que todos gostem e participem. Reestreamos em véspera de Fla-Flu. Vamos ver se o espaço é pé quente…

Saudações Tricolores!

Grande abraço,

Maurício Fernandes.

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