Política e Economia

O que está por trás da eleição do Clube dos 13

Torcida Tricolor,

Já há algum tempo procuro não ser mais um “Pollyanna” nem uma “Hiena Hardy”. Ou seja, nem faço o “jogo do contente” e me satisfaço com tudo que leio e escuto – simplesmente aceitando as coisas como elas são e procurando o lado positivo de tudo – nem fico sendo aquele pessimista chato, que acha que tudo está errado e que nunca nada vai ser bom.

Dito isso, gostaria de fazer uma análise sobre a recente reeleição de Fabio Koff para a presidência do Clube dos 13. Me apresso a dizer que não sou um insider, não tenho nenhum amigo influente em lugar nenhum que me dê alguma informação privilegiada sobre o assunto. Faço essa análise com base em tudo que li ao longo das ultimas semanas em jornais, blogs, comunidades e afins do cybermundo.

O que estava em jogo nesta eleição, como em quase todas as eleições para qualquer cargo, era dinheiro e poder. Em princípio, poderia ser questionada a candidatura da situação, tendo em vista que seria seu sexto mandato, quase se configurando uma ditadura. Porém, a opção da oposição, apresentando uma chapa com Kleber Leite era bastante emblemática.

Kléber tem sua origem profissional na mídia (era repórter esportivo de radio) e conhece muito bem os meandros desse mundo. Associou este conhecimento a um espírito empreendedor e a alguma falta de escrúpulos e se fez grande. Seus negócios envolvendo propaganda em estádios, negociação de jogadores e, principalmente, o ninho dos urubus, lhe permitiu “galgar parâmetros” e virar gente grande. Kleber aposta em um modelo para o futebol nacional com três ou quatro marcas nacionais (Fla, Coringas, Bambis e talvez Porcos) deixando os outros clubes apenas como marcas regionais.

Não se iludam: muita gente grande dentro da CBF e da Vênus Platinada concordam com essa tese. Segundo essas pessoas, trata-se de um movimento inexorável e que o futebol brasileiro tende ao modelo de organização europeu, onde cada país tem 2, 3 ou no máximo 4 grandes forças. Esses clubes tem fontes de financiamento na televisão, jornais e federações totalmente diferentes dos demais clubes.

Não que Fabio Koff seja um anjo, digno de processo de beatificação. Nem de longe. Mas seus 5 mandatos foram caracterizados pela defesa, dentro do possível, dos interesses dos demais times formadores do C13, procurando reduzir ao máximo as diferenças de remunerações, não permitindo que as diferenças ficarem maiores do que já são e emperrando o processo de implantação desse modelo.

As pressões para o estabelecimento do “modelo europeu” têm sido enormes e por isso causou estranheza a mudança de posição do Palmeiras e Flamengo, que aparentemente poderiam ser beneficiados. Não se entende o jogo daqueles outros 6 clubes que apoiaram a candidatura de oposição. Difícil saber o que foi oferecido a eles. Mas a CBF não teve o menor pudor em ressurgir com a velha pendenga da Taça das Bolinhas logo depois do resultado da eleição, somente para registrar que foi a atual administração mulamba que “perdeu a taça”, em represália ao apoio que Patricia Amorim, presidenta mulamba, deu a Fabio Koff.

Enfim, jogo muito pesado, duro e bastante desonesto. Para nosso bem, Horcades resistiu à tentação e votou com Koff, sendo, inclusive, acusado de traidor. Mas acho muito melhor ele ter traído os interesses de Kleber Leite e Ricardo Teixeira do que os interesses do Fluminense.

Que fique claro o quão importante é nosso movimento interno de modernização e organização profissional do futebol. Existe uma guerra importantíssima sendo travada no Brasil e estamos no segundo time, onde nunca deveria ser nosso lugar.

Em tempo: Importantíssima vitória sobre a Lusinha. Mas é muito óbvio que ainda não encontramos um parceiro para Fred. Alan ainda alterna demais e não prepara o jogo para o artilheiro. Essa é nossa prioridade máxima para o brasileiro.

Em tempo 2: Tenho até vergonha de comentar o caso Dalton. Recentemente um jovem talento dos Bambis, o Oscar, tentou fazer algo semelhante e teve que voltar com o rabinho entre as pernas para o clube. Aqui não importa amor à camisa ou quetais. Aqui é dinheiro! Imagina algum clube, mais sério e estruturado do que o nosso, chegando no empresário do Dalton e dizendo: “pago um terço do valor da rescisão de contrato dele para você se conseguir tirar ele do Flu a custo zero. E mais: triplico o salário do garoto!”. Amor à camisa? Basta o clube ser competente e profissional que ele voltaria com o rabinho entre as pernas.

Em tempo 3: Só o tricolor é tetra!

Saudações Tricolores

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