Quando o coletivo vira individual

E quem deveria decidir não decide

Torcida Tricolor,

Estive sem internet durante o Carnaval, por isso essa edição tardia.

Perdemos nos pênaltis, exatamente da forma que havíamos vencido nas ultimas duas vezes que encontramos os bacalhaus em semi-finais. É o fim do mundo? Não, de forma nenhuma! Jogamos bem e poderíamos ter vencido. Mas não vencemos. Como, aliás, não vencemos há 17 anos. Definitivamente, Fluminense e Taça Guanabara não têm conseguido combinar interesses.

Analisar derrota (apesar de termos empatado em zero no tempo normal) nunca é prazeroso. Obviamente, gostaria de estar escrevendo aqui sobre a expectativa de reencontrar o Império do Mal (aliás, do Amor…) e vingar aquela inefável derrota do turno. Mas, como isso não é possível, vamos procurar não nos ater ao óbvio, por mais difícil que isso seja.

Começamos a perder o jogo quando Maicon não se recuperou a tempo. A aposta de Cuca em Bruno Veiga como um segundo atacante de velocidade (ao invés de entrar com Alan, que procura mais a área) não deu certo. E tivemos um primeiro tempo de muita marcação e pouquíssimas oportunidades de gol. Verdade seja dita, nossos adversários, como previsto, entraram com uma disposição impressionante na marcação e nosso meio de campo, com sua criatividade toda concentrada em Conca, criou muito poucas oportunidades ao ataque.

Veio o segundo tempo e trouxemos Alan, que deu mais dinamismo ao ataque. Os bacalhaus se fecharam ainda mais, explorando os contra-ataques de forma bastante perigosa, principalmente com a dupla Phillipe – CA. Mas, sem duvida, as melhores oportunidades foram nossas. Eles concentraram suas ações pelo lado direito de nossa defesa, segurando o Mariano e deixando o pouco produtivo Julio César com mais liberdade. As entradas de Tiaguinho e Marquinho (é muito “inho” para um time só!) de nada adiantaram. E, se por um lado anulamos completamente o homem-gol deles (Dodô), por outro nosso homem que decide não foi feliz. Fred teve, pelo menos três boas oportunidades e não converteu nenhuma delas. Ou seja, não fez aquilo para o qual é pago para fazer. O sonho de seleção fica muito mais distante dessa forma. Não basta fazer muitos gols. Artilheiro tem que fazer os gols decisivos também.

É ai que o individual supera o coletivo. O esporte coletivo normalmente funciona de forma sinérgica, ou seja, o resultado final é maior que a soma das partes. Boas atuações individuais somadas geram uma atuação coletiva melhor. Ao contrário, atuações individuais abaixo da média geram um resultado coletivo pior.

E o ápice do individual é a disputa de pênaltis. Aquele momento solitário, onde cada jogador se vê face a face com seu destino. Portanto, nada de crucificar Alan, garoto ainda e que perdeu o pênalti mais importante que já bateu até agora em sua vida profissional. Nesse tipo de decisão, sempre vai haver, pelo menos, um “vilão”. Dessa vez, o “vilão” estava do nosso lado. Mas cabe registrar que Maicon perdeu um pênalti na decisão do mundial sub-20 ano passado e agora Alan perdeu este pênalti. Não considero isso uma coincidência. Isso denota um problema na formação psicológica dos atletas de Xerém e que precisa ser trabalhado já. Considerar que isso é coisa normal do jogo me parece erro crasso.

Que venha o segundo turno, recheado de jogos da Copa do Brasil. Desde o inicio da temporada, nossa comissão técnica disse que a TG serviria quase como uma pré-temporada. Tudo certo para tirar um pouco a pressão do grupo, mas valia título e isso é o que mais a torcida tricolor quer nesse momento. Mas historicamente somos mais produtivos no segundo turno. E temos time para vencer.

Em tempo: Meu cumpadre Daniel Billio é responsável pela programação do “TAM nas Nuvens” e produziu um belo compacto com a história do Tricolor, também disponível no Youtube no endereço http://www.youtube.com/watch?v=0jSnzQj8TRE&feature=player_embedded. Vale o registro: a assessoria de imprensa do Flu, ao contrário das de outros grandes clubes, ajudou muito pouco. Não fosse o diretor tricolor de boa cepa, ou não teríamos o filme ou ele não faria jus a nossa história. Parabéns Danuca!!

Saudações Tricolores

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