Archive for fevereiro, 2010

Rápidas e rasteiras

Pode ser falta de assunto… ou sobra.

Torcida Tricolor,

Semana de muita fofoca, alguma movimentação política, dor de cotovelo e nada mais.

As fofocas ficaram por conta da possível saída de Fred, dessa vez insufladas pelas declarações maldosas do recém-contratado técnico do chiqueiro. Claro que onde há fumaça, há fogo. Não sejamos tão tolos de achar que isso é só um factóide. Fred será sempre assediado. Está no Fluminense não por dinheiro nem por amor ao clube. Está aqui pelo sonho de disputar a Copa do Mundo. No entanto, mesmo que tenha chegado à conclusão que o Flu não é a vitrine ideal, sabe também que uma troca agora de quase nada adiantará. Até conseguir se adaptar à uma nova estrutura, poderá ser tarde demais. Assim, suas fichas estão todas apostadas no Tricolor. E por isso seu atual discurso motivador e incentivador (às vezes chegando às raias da bravata) tem um objetivo: o manter na mídia. Um título é fundamental para manter as poucas chances que restam.

Outra fofoca é a provável venda de Maicon. Essa me parece favas contadas. Se ele vai para a Ucrania, Russia ou um mercado menos pior eu não sei. Mas dificilmente nossos dirigentes poderão abrir mão de uma receita em euros, por menor que ela seja (tendo em vista que boa parte dos direitos sobre nosso “Bolt” pertencem à Traffic).

A partir dessa constatação (que precisamos de qualquer receita) entendemos um pouco mais a parte política do clube. Nesse ano teremos eleições e nosso clube ainda exerce muita atração, tanto aos bem quanto aos mal-intencionados. As últimas reuniões do Conselho Deliberativo mostraram a vergonha que ainda impera nas administrações clubísticas tupiniquins (afinal, não estamos sozinhos nisso). A discussão sobre orçamento de 2009 (sim, estão agora discutindo uma alteração de um documento que trata sobre um dinheiro já gasto!) e o de 2010 (outra peça de ilusionismo) só serviu para situação e oposição mostrarem suas garras e nossa vergonha. E, assim como é difícil entender as sutis diferenças entre PT e PSDB, também é difícil entender quem é situação e quem é oposição. Para completar, temos um grupo idealista, que tem seu grande valor, mas se comporta tal qual o PSOL, incompetente em encontrar um caminho virtuoso ao poder. Enfim, o micromundo futibolístico e o macromundo político sempre se conectam.

A dor de cotovelo fica por conta de termos visto o pior dos assim chamados “quatro grandes” do futebol carioca sair com a Taça Guanabara nas mãos. A cachorrada fez a pior campanha mas, a bem da verdade, venceu dois clássicos e garantiu vaga na final do campeonato. Nos resta, apenas, acreditar no discurso ufanista de Fred e lutar para sermos finalistas também.

Em tempo: Matéria bastante interessante feita pelo Esporte Espetacular (http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1215384-7824-MULHERES+QUE+AMAM+FUTEBOL+SE+REUNEM+NUM+BAR+PARA+FALAR+SOBRE+A+PAIXAO+NACIONAL,00.html) onde diversas mulheres, torcedoras de times de todo o Brasil demonstram rapidamente seus conhecimentos sobre futebol. Numa época onde selvagens travestidos de torcedores se matam nos arredores dos estádios, tudo que o futebol precisa é da inteligência emocional feminina. Quem não viu, vale a pena.

Em tempo 2: o comentário acima não tem nenhuma relação com o Richarlyson, por favor!!

Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com

Quando o coletivo vira individual

E quem deveria decidir não decide

Torcida Tricolor,

Estive sem internet durante o Carnaval, por isso essa edição tardia.

Perdemos nos pênaltis, exatamente da forma que havíamos vencido nas ultimas duas vezes que encontramos os bacalhaus em semi-finais. É o fim do mundo? Não, de forma nenhuma! Jogamos bem e poderíamos ter vencido. Mas não vencemos. Como, aliás, não vencemos há 17 anos. Definitivamente, Fluminense e Taça Guanabara não têm conseguido combinar interesses.

Analisar derrota (apesar de termos empatado em zero no tempo normal) nunca é prazeroso. Obviamente, gostaria de estar escrevendo aqui sobre a expectativa de reencontrar o Império do Mal (aliás, do Amor…) e vingar aquela inefável derrota do turno. Mas, como isso não é possível, vamos procurar não nos ater ao óbvio, por mais difícil que isso seja.

Começamos a perder o jogo quando Maicon não se recuperou a tempo. A aposta de Cuca em Bruno Veiga como um segundo atacante de velocidade (ao invés de entrar com Alan, que procura mais a área) não deu certo. E tivemos um primeiro tempo de muita marcação e pouquíssimas oportunidades de gol. Verdade seja dita, nossos adversários, como previsto, entraram com uma disposição impressionante na marcação e nosso meio de campo, com sua criatividade toda concentrada em Conca, criou muito poucas oportunidades ao ataque.

Veio o segundo tempo e trouxemos Alan, que deu mais dinamismo ao ataque. Os bacalhaus se fecharam ainda mais, explorando os contra-ataques de forma bastante perigosa, principalmente com a dupla Phillipe – CA. Mas, sem duvida, as melhores oportunidades foram nossas. Eles concentraram suas ações pelo lado direito de nossa defesa, segurando o Mariano e deixando o pouco produtivo Julio César com mais liberdade. As entradas de Tiaguinho e Marquinho (é muito “inho” para um time só!) de nada adiantaram. E, se por um lado anulamos completamente o homem-gol deles (Dodô), por outro nosso homem que decide não foi feliz. Fred teve, pelo menos três boas oportunidades e não converteu nenhuma delas. Ou seja, não fez aquilo para o qual é pago para fazer. O sonho de seleção fica muito mais distante dessa forma. Não basta fazer muitos gols. Artilheiro tem que fazer os gols decisivos também.

É ai que o individual supera o coletivo. O esporte coletivo normalmente funciona de forma sinérgica, ou seja, o resultado final é maior que a soma das partes. Boas atuações individuais somadas geram uma atuação coletiva melhor. Ao contrário, atuações individuais abaixo da média geram um resultado coletivo pior.

E o ápice do individual é a disputa de pênaltis. Aquele momento solitário, onde cada jogador se vê face a face com seu destino. Portanto, nada de crucificar Alan, garoto ainda e que perdeu o pênalti mais importante que já bateu até agora em sua vida profissional. Nesse tipo de decisão, sempre vai haver, pelo menos, um “vilão”. Dessa vez, o “vilão” estava do nosso lado. Mas cabe registrar que Maicon perdeu um pênalti na decisão do mundial sub-20 ano passado e agora Alan perdeu este pênalti. Não considero isso uma coincidência. Isso denota um problema na formação psicológica dos atletas de Xerém e que precisa ser trabalhado já. Considerar que isso é coisa normal do jogo me parece erro crasso.

Que venha o segundo turno, recheado de jogos da Copa do Brasil. Desde o inicio da temporada, nossa comissão técnica disse que a TG serviria quase como uma pré-temporada. Tudo certo para tirar um pouco a pressão do grupo, mas valia título e isso é o que mais a torcida tricolor quer nesse momento. Mas historicamente somos mais produtivos no segundo turno. E temos time para vencer.

Em tempo: Meu cumpadre Daniel Billio é responsável pela programação do “TAM nas Nuvens” e produziu um belo compacto com a história do Tricolor, também disponível no Youtube no endereço http://www.youtube.com/watch?v=0jSnzQj8TRE&feature=player_embedded. Vale o registro: a assessoria de imprensa do Flu, ao contrário das de outros grandes clubes, ajudou muito pouco. Não fosse o diretor tricolor de boa cepa, ou não teríamos o filme ou ele não faria jus a nossa história. Parabéns Danuca!!

Saudações Tricolores

Ao perdedor, as batatas

Afinal, elas combinam muito bem com bacalhau

Torcida Tricolor,

Aconteceu tudo como o previsto. As semi-finais sonhadas pelos organizadores do campeonato se formaram. Pegamos os bacalhaus e a cachorrada encara a mulambada. Vejo nosso jogo bem mais equilibrado do que o deles, mas não podemos desprezar a experiência de Billy Joel Santana em campeonatos cariocas. A mulambada, como já disse, pega um freguês eterno tentando se reerguer. Mas muitíssimo pressionada pela necessidade de vencer o primeiro turno a qualquer custo pois o segundo será todo atrapalhado pelos jogos da Libertadores. Pode ter alguma surpresa ai.

Já o jogo de quarta-feira de cinzas será um teste definitivo para esse chamado grupo de guerreiros. Não jogamos bola desde o segundo tempo do Fla x Flu. Foram duas exibições bastante fracas, sendo esta ultima, contra o Olaria, um verdadeiro show de horrores. Claro que estávamos bastante desfalcados, mas enfrentamos um time bastante desfalcado também e que, de positivo, apresentou apenas uma boa disciplina defensiva. Na verdade, o Olaria jogou muito mais contra os mulambos no meio da semana. Por sorte nossa, o elenco deles é ainda pior que o nosso!

Cabe destacar mais uma boa atuação de Bruno Veiga, que começa a se firmar como reserva no grupo. E, claro, a volta de Digão, nosso deus de ébano da raça tricolor. Sempre com bastante disposição não só para se antecipar às jogadas do ataque adversário mas para carregar a bola para o ataque, foi bom ver o garoto retornando. Mas ficou só nisso. Mesmo jogando com um jogador a mais boa parte do jogo, produzimos muito pouco.

Vamos enfrentar um time bastante organizado mas que também não tem jogado muita bola não. Carlos Alberto, que vem sendo tratado como ídolo, continua em sua gangorra técnica, alternando altos e baixos. Obviamente, deve entrar com disposição extra para enfrentar seu time do coração e isso pode ser um ponto a favor do bacalhau da colina. Ressalte-se também a subida de produção do Phillipe Coutinho, garoto de 17 anos e que já está vendido ao futebol europeu. Alias, o Flu tem um caso semelhante em seu elenco (Wellington) que pelo menos poderia estar dando ar de sua graça nos próximos meses, antes de partir para a Europa. Claro que, em nosso caso, a competição por vaga no meio de campo é maior que na colina. Mas gostaria de ver o garoto em campo, pelo menos em jogos como o de ontem.

Enfim, passaremos uma longa semana esperando o jogo. Carnaval no inicio para descontrair (ou desconcentrar). Temos tempo de recuperar os lesionados e, principalmente, recuperar o espírito guerreiro que andou meio esquecido nos últimos dias. Quero muuuuito encontrar a mulambada na final da TG.

Em tempo: comentário que rola pelas ruas carnavalescas do Rio: para completar o “Império do Amor” tá faltando o falecido Lafond…

Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com

Odeio derrotas

Principalmente para a mulambada

Torcida Tricolor,

Meu final de semana de 37 horas não me permitiu ir ao Maraca. Alias, mal deu para ouvir o jogo no radinho. Estava eu no ônibus rumando para a bucólica e aprazível Alfenas e o segundo tempo se iniciava. Só consegui ouvir até a expulsão do Álvaro, zagueiro mulambo. Logo depois, perdeu-se o sinal de meu celular. Resultado: fiquei procurando o resultado nas páginas da globoesportes.com através de meu celular 1/2G, com processado Lentium de primeira geração. Qual não foi meu desespero ao ver, depois de tanta paciência, o resultado carregado na tela…

Derrotas doem. Derrotas em partidas ganhas doem mais. Derrotas em partidas ganhas para os mulambos são doloridas demais! Toda a nação tricolor está inconformada não só com a derrota mas com a forma como se deu.

Mas vamos tentar afastar o coração tricolor por alguns segundos e tentar racionalizar o ocorrido. Já sabíamos que o ataque sem Fred não funcionava do mesmo jeito (vide coluna anterior sobre o jogo contra o Voltaço). Marcar 3 gols no primeiro tempo foi uma gratíssima surpresa. Mas a chuva de gols perdida por Maicon e Alan já não surpreenderam tanto…Dominamos todo o primeiro tempo porque o encanto de Pet acabou, virou abóbora, voltou a jogar o que estava jogando no Flu em 2006, Goiás em 2007, Galo em 2008, ou seja, nada! Ex-jogador em atividade! Com isso, dominamos o meio de campo e nossos garotos se fartaram de perder gols.

Veio o segundo tempo e Andrade resolveu justificar seu aumento. Trocou dois jogadores e arrumou o meio de campo e o ataque. Some-se a isso um retorno infeliz para o segundo tempo de Julio César e Diguinho, dois gols absolutamente idiotas sofridos com intervalo de 1 minuto antes dos 10 minutos do segundo tempo e temos nosso time de garotos, com média de idade próxima aos 23 anos, completamente atordoado. A expulsão do zagueiro deles ainda deu uma esperança, mas a nova contusão muscular de Maicon e sua substituição por William não funcionou e a pouca força de ataque que tínhamos se foi túnel abaixo.

Os gols em contra-ataque, quando falamos de um time com Vagner Love e Adriano, eram absolutamente previsíveis. Verdade que Diguinho ajudou muito Adriano no quarto gol, mas ali ele já estava bastante cansado.

Mas fico com a resposta que enviei a meu filho logo após saber o resultado: encontraremos eles na final da Taça Guanabara. E ai a situação será outra. A TG é fundamental para os mulambos, já que durante o segundo turno eles estarão disputando a Libertadores e precisarão poupar jogadores para isso. Entrarão na final com esta responsabilidade, com essa pressão. E nós poderemos nos aproveitar disso. Além do mais, Fla x Flu em decisão quase sempre e nosso!

Em tempo: acho sim que ontem ficaram definidas as semi-finais. Nós enfrentaremos os bacalhaus e mulambos enfrentarão a cachorrada. Nosso jogo será bem mais difícil, sem duvida, mas se esse time realmente deseja ser campeão, tem que ganhar de times como Vasco e Flamengo. E temos condições de vencê-los.

Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com