Archive for dezembro, 2009

Adeus ano velho, feliz ano novo

Não queremos mais do mesmo

Torcida Tricolor,

Completamos aqui, nesta coluna, nossos quintos Natal e Ano Novo juntos. Época onde todos renovamos nossas esperanças. Em uma dessas colunas, escrevi que datas e horas foram criadas apenas para o homem tentar controlar o tempo mas acabou controlando o homem. E que a sensação de ser um momento especial para mudanças é uma fantasia, uma ilusão. Porém, no futebol, campeonatos terminam, contratos terminam, mandatos terminam e algumas coisas mudam. A questão é: que mudanças queremos realizar em nossas vidas? E em nossos clubes?

Ano passado estávamos, nesse momento, vivendo um grande alívio. A perda da Libertadores nos pênaltis, num verdadeiro “maracanazzo” ainda doía em nossos corações. A tétrica campanha no brasileirão, quando nos salvamos apenas na penúltima rodada, havia sido extremamente dolorosa. Renê “Mario Bros” Simões foi alçado à condição de profeta tricolor e a torcida toda clamou por sua permanência (como agora fez com Cuca). O time da Libertadores praticamente não mais existia e o que havia restado definitivamente não agradava. Renê foi mantido e muitos jogadores dispensados e contratados. Daí em diante, acho que todos lembram do que aconteceu.

O fato é que, das quatro colunas anteriores de final de ano que escrevi, apenas a do fim de 2007 não tratava de necessidades gigantescas de reformulação geral do time, seja porque muitos jogadores não deram certo, seja porque muitos jogadores deram certos e saíram. O fato é que o tricolor mudou praticamente todo seu time de um ano para outro tanto no período 2005-06 quanto no 2006-07 e 2008-09. Por termos sido campeões da Copa do Brasil em 2007, a diretoria fez um tremendo esforço para manter as principais peças daquele campeonato e simplesmente reforçá-la.

Voltando a 2009, nossa histórica, épica, epopéica (e tantos outros adjetivos que já foram dados) recuperação no campeonato brasileiro se transformou em título. Tanto torcida quanto jogadores chegaram exaustos ao fim do campeonato mas com uma imenso e delicioso sabor de dever cumprido. E novamente os pedidos de permanência do técnico foram atendidos e, ao que parece, boa parte do elenco também será preservada. Isso me remete a 2007-08, só que dessa vez, não temos uma Libertadores no primeiro semestre. Nem Sulamericana no segundo. Teremos apenas 3 campeonatos (Carioca, CB e Brasileirão) sendo que o segundo será dividido pela Copa do Mundo. Também só teremos Maracanã, palco precioso de nossas melhores atuações do ano, até o mês de março. Sei que estou falando o óbvio, mas só estou construindo o cenário que compõe meu argumento.

Defendo a permanência de Urrutia, Equi e Leandro Amaral. Os dois primeiros por terem um histórico muito bom para serem julgados por uma meia dúzia de jogos que fizeram. Precisam de tempo para adaptação. Só quem foi trabalhar longe de sua casa (ou mesmo de seu país) sabe o quanto pode ser difícil essa adaptação. Já LA não pode ser demitido pois tem vínculo trabalhista com o clube e teve problema médico durante o exercício de sua função. É dever do clube, enquanto empregador, cumprir com seus compromissos financeiros com seu funcionário. Só fico curiosos se ele está ou não afastado pelo INSS, mas isso é outro problema. De fato, se ele voltar a jogar, pode fazer uma bela dupla de ataque com Fred, sendo ótima opção para Maicon.

Também defendo a permanência de Edcarlos. Acho ele bom zagueiro mas que ficou envolvido pelas péssimas atuações dos outros defensores e dos cabeças de área que o cercavam no primeiro semestre. Além disso, precisamos de alguém com disposição e experiência para “misturar” com os 3 garotos (Digão, Gum e Danton) que conseguiram segurar a onda nesses últimos 60 dias mas acho pouco provável que segurem uma temporada inteira. Mas Luis Alberto precisa sair. Não que seja ruim, mas vejo que alguém com o título de líder que carregava não poderia ter atuações tão ruins nem deixar o time mergulhar na apatia com ele. Terminando as permanências, ficaria com Paulo César no elenco também. Ele é quase um “estrangeiro” (depois de 6 anos na Europa) e merece um tempo de adaptação. Tem crédito.

Falando de saídas, temos aqueles que nem deveriam ter vindo, casos do Rui e do Roni, e temos um ícone da torcida, Fernando Henrique. Este último me parece um caso típico de erro de gerenciamento. Teve seu auge na campanha da Libertadores e ali poderia ter sido vendido com bom resultado financeiro para o clube. Não discuto seu carinho pelo clube e torcida, mas muitos de nós já sabíamos de sua instabilidade. Fez um belo papel ao longo de nossa reação (pelo menos enquanto estava às vistas da torcida e da imprensa) mas não conta mais com a confiança nem da torcida nem da comissão técnica. Como Rafael ocupou bem aquele espaço (coisa que infelizmente Diogo não conseguiu no passado), é chegada a hora de deixar o garoto seguir seu caminho. Podem sair sem nenhuma dor também Fabinho e WMonteiro.

Com isso, contrataria um lateral direito, um esquerdo, um ou dois volantes e um meia. Nada mais. O que temos no grupo, incluindo a garotada que já está lá somada à garotada que está chegando de Xerém, teremos um grupo do jeito que o Cuca gosta. E ai poderemos chegar aos títulos, que é o que realmente precisamos desejar sempre.

Dadas as minhas opiniões (sei que vocês têm as suas também), chamo a atenção que o orçamento da Unimed este ano deve ser menor não por conta de brigas ou fofocas sem fundamento. Mas sim porque sua receita ano passado diminuiu e é comum acontecerem cortes nas verbas de marketing quando isso ocorre. Some-se a isso que parte da verba de marketing dedicada ao futebol agora está direcionada para o América, time do peixe Romário. Este é um fato com o qual temos que nos acostumar e planejar nosso financeiro de forma a NUNCA MAIS atrasar salários de jogadores e funcionários. Este precisa ser o segundo mandamento desse Flu 2010 (o primeiro é: chegar à final em todos os títulos que disputar).

Que 2010 lhes seja generoso. Voltamos a ocupar nossas cabeças e corações durante a pré-temporada. Até lá, que desfrutemos de nosso merecido descanso.

Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com

11-5-1

Como é doce o sabor da série A

Torcida Tricolor,

Escrevo esta coluna às 2h da manhã da madrugada de domingo para segunda-feira. Não, não consigo dormir, assim como não consegui pensar em outra coisa senão no jogo ao longo do domingo inteiro. E da noite de sábado também. E desde quarta-feira, depois da vitória sobre a LDU.

O Fluminense, nos últimos 61 dias venceu 11 partidas, empatou 5 e perdeu 1 (apenas uma!) partida. E assim mesmo, perdeu para a altitude de Quito. Uma campanha impressionante, inimaginável para a maior parte de nós, torcedores, e para todo o restante do Brasil. Éramos dados como mortos, irremediavelmente rebaixados. Alguns comentaristas, mais condescendentes, diziam que a Sulamericana era a única oportunidade do Flu conseguir ainda alguma coisa positiva ou digna esse ano, mas jogar na segundona em 2010 era dado como certo.

Veio, então, o milagre!

O empate contra os coringuinhas no Maracanã, mesmo sem Fred, criou uma pequena centelha do “ainda dá”. Alguns de nós diziam que Fred não queria mais jogar pelo Flu, que estava fazendo corpo mole. Que Cuca era um maníaco-depressivo absolutamente impossibilitado de conseguir tirar alguma coisa positiva desse grupo. O vice-presidente de futebol (aquele com nome parecido com “trote”) falava em planejar 2010, pois considerava 2009 acabado. Mas a torcida percebeu aquela fagulha e acreditou um pouquinho.

Fred voltou contra o Santo André, deixou o dele, o garoto Alan fez um golaço e vencemos um jogo contra um adversário direto. Nesse momento, o Santo André tinha 8 (eu disse oito!) pontos a mais que o Flu e com essa derrota, ficou ainda a 5 pontos a nossa frente. A fagulha vira brasa…

Não vou me estender narrando cada partida e como essa emoção cresceu e dominou toda a torcida e, principalmente, todo o time. Quem quiser lembrar de cada jogo dessa epopéia tricolor, sugiro o ótimo vídeo do Cassio postado no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=0Hpp33_Qm2Y). O fato é que a fagulha virou brasa, que virou fogo e alcançou o incêndio quando esta maravilhosa torcida recebeu o time que havia perdido de goleada para a LDU em Quito como se fossem campeões. Para mim (e provavelmente para jogadores e comissão técnica), este evento foi chave, fundamental, único, inesquecível.

A partir daí vencemos todos os jogos e não fomos campeões da Sula no detalhe. Mas a torcida e o time estavam extremamente focados na permanência na série A. Doeu não conseguirmos reverter o resultado contra a LDU? Claro que sim! Mas não tínhamos tempo para lamentar, tempo que tivemos de sobra ano passado para lamentar a perda da Libertadores e que nos levou para um buraco muito próximo do buraco desse ano. Por outro lado, quis o destino que nosso adversário no ultimo jogo estivesse com sua “cabeça a prêmio” também. Atrasar o inicio do jogo para saber os outros resultados e ficar quase 15 minutos depois de terminados os outros jogos foi o toque final. Porque o tricolor tem essa vocação para o dramático, o épico, o histórico? Porque tudo que nos cerca (principalmente as conquistas) precisam ser recheadas de detalhes sórdidos e únicos?

A batalha de Curitiba terminou sendo, realmente, uma batalha. Com direito a cenas de vandalismo e ignorância. Resultado de uma campanha publicitária criminosa da diretoria do coxa que, se o time tivesse vencido, seria tratada como perfeita. Como o time terminou rebaixado, o reflexo da campanha foi desastroso. Que esse exemplo sirva para que as autoridades coíbam campanhas semelhantes. O esporte não pode ser tratado como guerra, principalmente o futebol, que mexe com paixões maiores do que outros esportes. E que o castigo ao clube seja realmente exemplar. Sabemos que muitos outros casos aconteceram e muito pouco o quase nada foi feito. Mas isso precisa mudar alguma hora e agora me parece uma oportunidade excelente para isso.

Sim, nos salvamos. E pelo que apresentamos ao Brasil e ao mundo nos últimos 2 meses, merecemos permanecer na elite do futebol tupiniquim. Vamos dormir mais tranqüilos e, porque não, felizes.

Mas satisfeitos? Definitivamente não!

Em tempo: Mulambada campeã e cachorrada salva pelo gongo também. Que final de campeonato impressionante foi esse! 2009 definitivamente será difícil de esquecer!

Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com