Dúvida cruel

Jogar perto do céu…

Torcida Tricolor,

Por 5 minutos, 5 míseros minutos, estivemos fora da zona de rebaixamento. Nossa atuação contra os gatinhos pernambucanos foi abaixo do vínhamos apresentando. Como atenuantes, temos os desfalques (e Diogo também se machucou), o calor e o estado deplorável do campo. Mas o fato é que em momento algum apresentamos aquela marcação aguerrida, marcando inclusive a saída de bola do adversário. No primeiro tempo, então, o Sport teve muita liberdade no meio de campo. Ficou evidente que Mauricio não tem a mesma eficiência nem na marcação nem na saída de bola que Diguinho. E Alan, conforme já sabíamos, não tem as mesmas características de Maicon (o que não quer dizer que seja pior, entenda-se bem). Mas tivemos um adversário medíocre e a dupla Fred e Conca (muito mais o segundo) mais uma vez desequilibraram e carimbaram nossa oitava vitória consecutiva!

Fim da partida, começa meu drama (e, acredito eu, de toda a comissão técnica e de boa parte da torcida tricolor): como tratar a primeira partida da final da Sulamericana, em Quito? Time titular, reserva ou misto? Teremos condições físicas de jogar a 2.850m na quarta e vencer o Vitória no domingo com o mesmo time? O que vale mais: o título da Sulamericana ou a permanência na série A? Querer as duas coisas pode ser considerado como excesso de otimismo? Como diria o lendário Januário de Oliveira, essa decisão é “cruel, muito cruel”!

Todas essas perguntas estavam nas cabeças tricolores nos últimos dias mas chegou a hora da decisão. Muitos jornalistas que bradaram a todos os ventos que estávamos irremediavelmente rebaixados hoje se rendem à nossa reação exuberante e chegam (pasmem!) a se declarar torcedores do Flu neste fim de campeonato. E manifestam sua preocupação (alguns se dizem até “borrados” ) por colocarmos o time principal para jogar em Quito, correndo o risco do desgaste para o jogo decisivo contra o Vitória no domingo.

Não posso me dizer absolutamente tranqüilo sobre este ponto. Mas tenho a opinião firmada de que Cuca sabe o que faz, ele mais do que ninguém conhece esse grupo que conseguiu todos esses resultados. Se ele e os outros membros da comissão técnica acreditam que que os jogadores são capazes de suportar, quem sou eu para não acreditar!

Sim, corremos o risco de não conseguirmos nada, ou seja, nem a Sulamericana nem a permanência na Série A. Mas tenham certeza: a história do tricolor das Laranjeiras sempre foi feita de riscos, muitos riscos. O Fluminense não pode se apequenar. Se estivéssemos no G4, disputando ponto a ponto a participação na Libertadores ou mesmo o título, nossa decisão não poderia ser diferente. A dimensão é a mesma!

Um campeão se faz nas pequenas decisões tomadas diariamente, quando ele acorda, olha pela janela e conclui o quanto ele tem que se esforçar para alcançar seus objetivos. Prefiro correr o risco de nada alcançar mas morrer tentando do que o risco de não alcançar algum objetivo sem ter lutado por ele. Caso escalássemos o time reserva, nunca saberíamos se o resultado teria sido diferente.

Vamos a luta! Acreditar sempre! Afinal, graças a Deus eu nasci foi tricolor!

Em tempo: o filho do trabalho (Job son) teve atuação brilhante pela cachorrada contra os bambis e fez uma das maiores lambanças que eu já vi, ao tirar a camisa para comemorar o terceiro gol. Tomou o segundo cartão amarelo, portanto foi expulso, e com isso está fora do próximo jogo, que é tão importante quanto o jogo de domingo. Te juro que se eu fosse dirigente, multava esse maluco!

Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com

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