Jeitinho Carioca
Choveu muito no rio na ultima noite de sábado. Segundo a meteorologia, chuveu numa só noite toda a água esperada para o mês de março inteiro! Mas ai em baixo fica o registro do jeitinho carioca de enfrentar as adversidades.
Exigência premiada
Tudo bem, vencemos!
Torcida Tricolor,
Aparentemente, meu período de “exílio” na bucólica e paradisíaca Alfenas chegou ao fim. Tive a oportunidade de arrumar minhas malas ainda na quarta-feira e estar no Rio para assistir, depois de muitos meses, o jogo do Flusão com meus filhos do lado. Sim, assisti pela TV pois não me animei de ir ao Engenhão, de noite e debaixo de chuva (apesar da insistência de meu amigo Jofre). Mas a felicidade de estar em casa com a família foi muito grande, quase superou a tristeza pela perda de um contrato importante.
A vitória sobre o poderoso Tigres, no entanto, não me deixou muito feliz. Alias, para ser mais preciso, diria que me deixou bastante preocupado. O placar (3×0) não traduziu a atuação apática e sem brilho do time, principalmente no segundo tempo. Terminado o jogo, estava eu bastante preocupado com nosso futuro na Taça Rio e mesmo com o jogo pela Copa do Brasil.
Mas veio o domingo pós-dilúvio e, ao que tudo indica, nossos jogadores devem ter ficado debaixo daquela chuva torrencial que inundou o Rio e lavaram a alma. Pois só uma lavagem de alma “em regra” explica a bela atuação que tivemos contra a cachorrada. Não que considere o time deles bom (sempre disse que não era). Aliás, atribuo ao Joel o título da TG, pois conseguiu arrumar o time para jogar fechadinho e aproveitar os contra-ataques (tática padrão Joel de qualidade). Só que dessa vez não funcionou! Joel falou nas entrevistas pós-jogo que houve uma “pane geral” em seus jogadores. Discordo! Jogaram todos da mesma forma que jogaram contra mulambos e bacalhaus. Só que naqueles jogos, principalmente contra os mulambos, os adversários perderam dezenas de oportunidades. Dessa vez, o Flu também perdeu muitas (a primeira do Fred, então, foi inacreditável!) mas conseguiu fazer dois gols e saiu vitorioso. Para termos uma idéia, a estatística de chutes a gol foi 20×4 para o Flu, sendo que eles não chutaram nenhuma vez a nosso gol na segunda etapa. (fonte: Sportv)
Cabe ressaltar que no gol que sofremos (de pênalti) a jogada se inicia com impedimento de um zagueiro alvinegro, continua com uma falta de Herrera em Diguinho e termina com uma pixotada do Maicon (a segunda dele em lances semelhantes – a primeira foi ano passado). Como o garoto está realmente se transferindo para o CSKA, dou um desconto pois a cabeça deve estar aceleradíssima. Mas não fosse assim, eles não conseguiriam sequer acertar nosso gol!
Enfim, acredito que todos nós tricolores começamos a semana bem mais confiantes. Uma vitória convincente como esta deve gerar o entusiasmo necessário para passarmos pelo Confiança sem problemas. E nos prepararmos para enfrentarmos os reis do bacalhau. Mas não podemos esquecer que agora disputamos apenas vagas nas semi-finais. Ai sim vamos saber quem tem garrafa velha para vender.
Em tempo 1: Que golaço do Fred! Já vinha tentando acertar esse voleio há algum tempo. Demorou a acertar, mas ficou bonito!
Em tempo 2: A saída do Maicon é inevitável. E não adianta ficar chorando, reclamando que nossos jogadores saem muito cedo, etc etc. Que Wellington Silva (que ontem entrou muito bem mais uma vez) o substitua até o fim do ano, quando também sairá. Essa é a rotina de um clube mergulhado em dívidas. Agora, vai entender porque o Santos conseguiu segurar Robinho, Diego, Elano e agora, Neymar, Ganso e André e nós mal seguramos Wellington, Maicon e Alan…
Em tempo 3: Vale a pena uma olhada no post do excelente blog OCE que trata sobre a recente decisão da International Board (os chamados “velhinhos da FIFA”). Discussão prá lá de interessante (http://colunas.globoesporte.com/olharcronicoesportivo/2010/03/07/international-board-decide-o-fator-humano-continua/).
Saudações Tricolores
Ficando mais exigente
Tudo bem, vencemos. Mas…
Torcida Tricolor,
Vencemos o poderoso “Frizão” com placar elástico e gols de todos os estreantes. Nossos laterais participaram ativamente do jogo, principalmente na parte ofensiva. Conca voltou a mandar no meio de campo. Fred voltou a marcar gol de pênalti. Wellington prodígio fez sua estréia tão sonhada no Maracanã com o manto sagrado. Enfim, poderíamos chamar de uma tarde tricolor perfeita.
Mas confesso que estou ficando mais critico e exigente. Alias, ficando não, mas resgatando um espírito crítico que ficou adormecido pelo pânico do rebaixamento e pela reação fantástica do final de 2009. Espírito crítico que renasceu graças à derrota ridícula contra a mulambada, a desclassificação para a final contra o Vasco e, cereja do sundae, o tenebroso empate contra o Confiança.
Na verdade, o que vimos ontem no Maraca foi um time muito superior ao outro e com muita vontade de vencer e convencer. Mas nada mais do que isso. O Friburguense, antigo Fluminense de Nova Friburgo, não ofereceu nenhuma resistência. Marcação frouxa e muito pouco talento entre seus jogadores. Resumindo, um Confiança com menos vontade de jogar. Fizemos o que temos que fazer sempre que tivermos essa possibilidade. Vencer com convicção. Afinal, quando poderemos ver novamente em campo nosso time armado com Fred, André Lima e Maicon (terminamos assim o jogo)? Acredito eu que em muito poucos jogos, sempre contra Friburguenses, Confianças e afins.
Espero, agora, por uma vitória consistente, uma atuação firme e decidida, contra um time grande. Teremos Vasco e Botafogo pela frente. Se queremos realmente ser campeões, temos que vencê-los e entrar nas semi-finais como favoritos. E, claro, confirmar nosso favoritismo. Time grande é isso! Nosso meio de campo tem que ter alternativas para uma marcação mais firme em Conca, nosso ataque tem que fazer gols quando poucas forem as chances, nossa defesa não pode deitar em berço esplêndido achando-se inexpugnável. Vamos enfrentar o Tigres e depois a cachorrada. Ai sim poderemos avaliar se o time se firmou e resgatou a atitude do fim do ano passado ou não.
Em tempo: Tinga tem sido um nome muito badalado no laranjal ao longo dos últimos dois anos mas especialmente nos últimos dias. Considero um bom nome mas não me parece uma posição que estejamos carentes. E a estréia de Wellington provou que tínhamos uma excelente opção para Maicon dentro de casa. Vai entender porque não a utilizávamos…
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Rápidas e rasteiras
Pode ser falta de assunto… ou sobra.
Torcida Tricolor,
Semana de muita fofoca, alguma movimentação política, dor de cotovelo e nada mais.
As fofocas ficaram por conta da possível saída de Fred, dessa vez insufladas pelas declarações maldosas do recém-contratado técnico do chiqueiro. Claro que onde há fumaça, há fogo. Não sejamos tão tolos de achar que isso é só um factóide. Fred será sempre assediado. Está no Fluminense não por dinheiro nem por amor ao clube. Está aqui pelo sonho de disputar a Copa do Mundo. No entanto, mesmo que tenha chegado à conclusão que o Flu não é a vitrine ideal, sabe também que uma troca agora de quase nada adiantará. Até conseguir se adaptar à uma nova estrutura, poderá ser tarde demais. Assim, suas fichas estão todas apostadas no Tricolor. E por isso seu atual discurso motivador e incentivador (às vezes chegando às raias da bravata) tem um objetivo: o manter na mídia. Um título é fundamental para manter as poucas chances que restam.
Outra fofoca é a provável venda de Maicon. Essa me parece favas contadas. Se ele vai para a Ucrania, Russia ou um mercado menos pior eu não sei. Mas dificilmente nossos dirigentes poderão abrir mão de uma receita em euros, por menor que ela seja (tendo em vista que boa parte dos direitos sobre nosso “Bolt” pertencem à Traffic).
A partir dessa constatação (que precisamos de qualquer receita) entendemos um pouco mais a parte política do clube. Nesse ano teremos eleições e nosso clube ainda exerce muita atração, tanto aos bem quanto aos mal-intencionados. As últimas reuniões do Conselho Deliberativo mostraram a vergonha que ainda impera nas administrações clubísticas tupiniquins (afinal, não estamos sozinhos nisso). A discussão sobre orçamento de 2009 (sim, estão agora discutindo uma alteração de um documento que trata sobre um dinheiro já gasto!) e o de 2010 (outra peça de ilusionismo) só serviu para situação e oposição mostrarem suas garras e nossa vergonha. E, assim como é difícil entender as sutis diferenças entre PT e PSDB, também é difícil entender quem é situação e quem é oposição. Para completar, temos um grupo idealista, que tem seu grande valor, mas se comporta tal qual o PSOL, incompetente em encontrar um caminho virtuoso ao poder. Enfim, o micromundo futibolístico e o macromundo político sempre se conectam.
A dor de cotovelo fica por conta de termos visto o pior dos assim chamados “quatro grandes” do futebol carioca sair com a Taça Guanabara nas mãos. A cachorrada fez a pior campanha mas, a bem da verdade, venceu dois clássicos e garantiu vaga na final do campeonato. Nos resta, apenas, acreditar no discurso ufanista de Fred e lutar para sermos finalistas também.
Em tempo: Matéria bastante interessante feita pelo Esporte Espetacular (http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1215384-7824-MULHERES+QUE+AMAM+FUTEBOL+SE+REUNEM+NUM+BAR+PARA+FALAR+SOBRE+A+PAIXAO+NACIONAL,00.html) onde diversas mulheres, torcedoras de times de todo o Brasil demonstram rapidamente seus conhecimentos sobre futebol. Numa época onde selvagens travestidos de torcedores se matam nos arredores dos estádios, tudo que o futebol precisa é da inteligência emocional feminina. Quem não viu, vale a pena.
Em tempo 2: o comentário acima não tem nenhuma relação com o Richarlyson, por favor!!
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Quando o coletivo vira individual
E quem deveria decidir não decide
Torcida Tricolor,
Estive sem internet durante o Carnaval, por isso essa edição tardia.
Perdemos nos pênaltis, exatamente da forma que havíamos vencido nas ultimas duas vezes que encontramos os bacalhaus em semi-finais. É o fim do mundo? Não, de forma nenhuma! Jogamos bem e poderíamos ter vencido. Mas não vencemos. Como, aliás, não vencemos há 17 anos. Definitivamente, Fluminense e Taça Guanabara não têm conseguido combinar interesses.
Analisar derrota (apesar de termos empatado em zero no tempo normal) nunca é prazeroso. Obviamente, gostaria de estar escrevendo aqui sobre a expectativa de reencontrar o Império do Mal (aliás, do Amor…) e vingar aquela inefável derrota do turno. Mas, como isso não é possível, vamos procurar não nos ater ao óbvio, por mais difícil que isso seja.
Começamos a perder o jogo quando Maicon não se recuperou a tempo. A aposta de Cuca em Bruno Veiga como um segundo atacante de velocidade (ao invés de entrar com Alan, que procura mais a área) não deu certo. E tivemos um primeiro tempo de muita marcação e pouquíssimas oportunidades de gol. Verdade seja dita, nossos adversários, como previsto, entraram com uma disposição impressionante na marcação e nosso meio de campo, com sua criatividade toda concentrada em Conca, criou muito poucas oportunidades ao ataque.
Veio o segundo tempo e trouxemos Alan, que deu mais dinamismo ao ataque. Os bacalhaus se fecharam ainda mais, explorando os contra-ataques de forma bastante perigosa, principalmente com a dupla Phillipe – CA. Mas, sem duvida, as melhores oportunidades foram nossas. Eles concentraram suas ações pelo lado direito de nossa defesa, segurando o Mariano e deixando o pouco produtivo Julio César com mais liberdade. As entradas de Tiaguinho e Marquinho (é muito “inho” para um time só!) de nada adiantaram. E, se por um lado anulamos completamente o homem-gol deles (Dodô), por outro nosso homem que decide não foi feliz. Fred teve, pelo menos três boas oportunidades e não converteu nenhuma delas. Ou seja, não fez aquilo para o qual é pago para fazer. O sonho de seleção fica muito mais distante dessa forma. Não basta fazer muitos gols. Artilheiro tem que fazer os gols decisivos também.
É ai que o individual supera o coletivo. O esporte coletivo normalmente funciona de forma sinérgica, ou seja, o resultado final é maior que a soma das partes. Boas atuações individuais somadas geram uma atuação coletiva melhor. Ao contrário, atuações individuais abaixo da média geram um resultado coletivo pior.
E o ápice do individual é a disputa de pênaltis. Aquele momento solitário, onde cada jogador se vê face a face com seu destino. Portanto, nada de crucificar Alan, garoto ainda e que perdeu o pênalti mais importante que já bateu até agora em sua vida profissional. Nesse tipo de decisão, sempre vai haver, pelo menos, um “vilão”. Dessa vez, o “vilão” estava do nosso lado. Mas cabe registrar que Maicon perdeu um pênalti na decisão do mundial sub-20 ano passado e agora Alan perdeu este pênalti. Não considero isso uma coincidência. Isso denota um problema na formação psicológica dos atletas de Xerém e que precisa ser trabalhado já. Considerar que isso é coisa normal do jogo me parece erro crasso.
Que venha o segundo turno, recheado de jogos da Copa do Brasil. Desde o inicio da temporada, nossa comissão técnica disse que a TG serviria quase como uma pré-temporada. Tudo certo para tirar um pouco a pressão do grupo, mas valia título e isso é o que mais a torcida tricolor quer nesse momento. Mas historicamente somos mais produtivos no segundo turno. E temos time para vencer.
Em tempo: Meu cumpadre Daniel Billio é responsável pela programação do “TAM nas Nuvens” e produziu um belo compacto com a história do Tricolor, também disponível no Youtube no endereço http://www.youtube.com/watch?v=0jSnzQj8TRE&feature=player_embedded. Vale o registro: a assessoria de imprensa do Flu, ao contrário das de outros grandes clubes, ajudou muito pouco. Não fosse o diretor tricolor de boa cepa, ou não teríamos o filme ou ele não faria jus a nossa história. Parabéns Danuca!!
Saudações Tricolores
Ao perdedor, as batatas
Afinal, elas combinam muito bem com bacalhau
Torcida Tricolor,
Aconteceu tudo como o previsto. As semi-finais sonhadas pelos organizadores do campeonato se formaram. Pegamos os bacalhaus e a cachorrada encara a mulambada. Vejo nosso jogo bem mais equilibrado do que o deles, mas não podemos desprezar a experiência de Billy Joel Santana em campeonatos cariocas. A mulambada, como já disse, pega um freguês eterno tentando se reerguer. Mas muitíssimo pressionada pela necessidade de vencer o primeiro turno a qualquer custo pois o segundo será todo atrapalhado pelos jogos da Libertadores. Pode ter alguma surpresa ai.
Já o jogo de quarta-feira de cinzas será um teste definitivo para esse chamado grupo de guerreiros. Não jogamos bola desde o segundo tempo do Fla x Flu. Foram duas exibições bastante fracas, sendo esta ultima, contra o Olaria, um verdadeiro show de horrores. Claro que estávamos bastante desfalcados, mas enfrentamos um time bastante desfalcado também e que, de positivo, apresentou apenas uma boa disciplina defensiva. Na verdade, o Olaria jogou muito mais contra os mulambos no meio da semana. Por sorte nossa, o elenco deles é ainda pior que o nosso!
Cabe destacar mais uma boa atuação de Bruno Veiga, que começa a se firmar como reserva no grupo. E, claro, a volta de Digão, nosso deus de ébano da raça tricolor. Sempre com bastante disposição não só para se antecipar às jogadas do ataque adversário mas para carregar a bola para o ataque, foi bom ver o garoto retornando. Mas ficou só nisso. Mesmo jogando com um jogador a mais boa parte do jogo, produzimos muito pouco.
Vamos enfrentar um time bastante organizado mas que também não tem jogado muita bola não. Carlos Alberto, que vem sendo tratado como ídolo, continua em sua gangorra técnica, alternando altos e baixos. Obviamente, deve entrar com disposição extra para enfrentar seu time do coração e isso pode ser um ponto a favor do bacalhau da colina. Ressalte-se também a subida de produção do Phillipe Coutinho, garoto de 17 anos e que já está vendido ao futebol europeu. Alias, o Flu tem um caso semelhante em seu elenco (Wellington) que pelo menos poderia estar dando ar de sua graça nos próximos meses, antes de partir para a Europa. Claro que, em nosso caso, a competição por vaga no meio de campo é maior que na colina. Mas gostaria de ver o garoto em campo, pelo menos em jogos como o de ontem.
Enfim, passaremos uma longa semana esperando o jogo. Carnaval no inicio para descontrair (ou desconcentrar). Temos tempo de recuperar os lesionados e, principalmente, recuperar o espírito guerreiro que andou meio esquecido nos últimos dias. Quero muuuuito encontrar a mulambada na final da TG.
Em tempo: comentário que rola pelas ruas carnavalescas do Rio: para completar o “Império do Amor” tá faltando o falecido Lafond…
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Odeio derrotas
Principalmente para a mulambada
Torcida Tricolor,
Meu final de semana de 37 horas não me permitiu ir ao Maraca. Alias, mal deu para ouvir o jogo no radinho. Estava eu no ônibus rumando para a bucólica e aprazível Alfenas e o segundo tempo se iniciava. Só consegui ouvir até a expulsão do Álvaro, zagueiro mulambo. Logo depois, perdeu-se o sinal de meu celular. Resultado: fiquei procurando o resultado nas páginas da globoesportes.com através de meu celular 1/2G, com processado Lentium de primeira geração. Qual não foi meu desespero ao ver, depois de tanta paciência, o resultado carregado na tela…
Derrotas doem. Derrotas em partidas ganhas doem mais. Derrotas em partidas ganhas para os mulambos são doloridas demais! Toda a nação tricolor está inconformada não só com a derrota mas com a forma como se deu.
Mas vamos tentar afastar o coração tricolor por alguns segundos e tentar racionalizar o ocorrido. Já sabíamos que o ataque sem Fred não funcionava do mesmo jeito (vide coluna anterior sobre o jogo contra o Voltaço). Marcar 3 gols no primeiro tempo foi uma gratíssima surpresa. Mas a chuva de gols perdida por Maicon e Alan já não surpreenderam tanto…Dominamos todo o primeiro tempo porque o encanto de Pet acabou, virou abóbora, voltou a jogar o que estava jogando no Flu em 2006, Goiás em 2007, Galo em 2008, ou seja, nada! Ex-jogador em atividade! Com isso, dominamos o meio de campo e nossos garotos se fartaram de perder gols.
Veio o segundo tempo e Andrade resolveu justificar seu aumento. Trocou dois jogadores e arrumou o meio de campo e o ataque. Some-se a isso um retorno infeliz para o segundo tempo de Julio César e Diguinho, dois gols absolutamente idiotas sofridos com intervalo de 1 minuto antes dos 10 minutos do segundo tempo e temos nosso time de garotos, com média de idade próxima aos 23 anos, completamente atordoado. A expulsão do zagueiro deles ainda deu uma esperança, mas a nova contusão muscular de Maicon e sua substituição por William não funcionou e a pouca força de ataque que tínhamos se foi túnel abaixo.
Os gols em contra-ataque, quando falamos de um time com Vagner Love e Adriano, eram absolutamente previsíveis. Verdade que Diguinho ajudou muito Adriano no quarto gol, mas ali ele já estava bastante cansado.
Mas fico com a resposta que enviei a meu filho logo após saber o resultado: encontraremos eles na final da Taça Guanabara. E ai a situação será outra. A TG é fundamental para os mulambos, já que durante o segundo turno eles estarão disputando a Libertadores e precisarão poupar jogadores para isso. Entrarão na final com esta responsabilidade, com essa pressão. E nós poderemos nos aproveitar disso. Além do mais, Fla x Flu em decisão quase sempre e nosso!
Em tempo: acho sim que ontem ficaram definidas as semi-finais. Nós enfrentaremos os bacalhaus e mulambos enfrentarão a cachorrada. Nosso jogo será bem mais difícil, sem duvida, mas se esse time realmente deseja ser campeão, tem que ganhar de times como Vasco e Flamengo. E temos condições de vencê-los.
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Vida mansa no Maraca
Afinal, quem tem padrinho…
Torcida Tricolor,
Estava eu passando calmamente minhas 37h regulares de fim de semana carioca. As crianças viajando me permitiram um dia de sábado tranqüilo, com direito a compras para o jardim e febras portuguesas na CADEG na companhia da primeira-dama. Coisa de primeiro mundo! Eis então que recebo um telefonema de meu queridíssimo padrinho de casamento oferecendo convites para um camarote no jogo de domingo, contra o Volta Redonda. Já tinha decidido ver o jogo pela TV pois o horário ficaria muito apertado para ir ao Maraca e pegar o ônibus noturno para Minas. Mas os convites me seduziram. Afinal, seria uma oportunidade única para levar os filhotes em alto estilo para ver um jogo do Fluzão. Aceitei!
No domingo as crianças chegaram, almoçamos juntos, vestimos nossas camisas tricolores e lá fomos nós para a mordomia. A mordomia só não foi maior porque os convites não davam direito a estacionamento dentro do estádio. Mas enfim, nem tudo é perfeito…
Estivemos em um dos melhores camarotes do Maraca e acabamos assistindo ao jogo quase que nas cadeiras especiais, mas com sanduichinhos e canapés bem servidos, refrigerantes gelados e a companhia de PC Caju, uma das estrelas daquela constelação chamada “Maquina Tricolor”. Fim do jogo, saímos correndo (ou melhor, andando o mais rápido que as perninhas do Pedro deixavam), pegamos o carro e rumamos para casa para uma ducha rápida e saída estratégica pelo lado direito, direto para a Rodoviária. De volta a Alfenas!
Do jogo em si, não muito a comentar. Jogo com ingresso a R$40, com transmissão em TV aberta e sem Fred em campo é para ter pouca gente mesmo no Maracanã. E o time jogou futebol diretamente proporcional ao tamanho da torcida. Deu pro gasto, marcamos três importantíssimos pontos mas perdemos muitos gols e acabamos tomando um ou dois sustos absolutamente desnecessários. Achei o juiz algo perdido em suas marcações, parando muito o jogo e ajudando o placar a ser magro (de certa forma, favoreceu ao Voltaço com isso). Tivemos um belo gol de Leandro Eusébio, mostramos que esse time realmente sabe sair com a bola (se não me engano Rafael só deu dois chutões em tiros de meta) e que Alan continua jogando mais quando entra no meio do jogo do que quando começa como titular. O garoto tem futuro mais ainda não está no ponto. Precisamos de um atacante com estilo mais parecido com o do Fred. Especula-se Kleber Pereira. Pode ser uma boa se ele vier com espírito de grupo, topando ficar no banco. Se não, vamos arrumar sarna para nos coçar.
Temos um jogo contra o Duque de Caxias no meio da semana e o Fla x Flu no domingo (que não poderei assistir nem com mordomia por conta do horário). Tudo indica que este jogo decidirá quem será o primeiro e o segundo do grupo, em um campeonato carioca onde os times pequenos nunca foram tão pequenos. Esta é a chance do Fred avançar na sua meta de 60 gols no ano. Enfrentar o Flamengo com Love e Adriano será um ótimo teste para esse time renovado de guerreiros.
Em tempo: o que falar da chinelada tomada pela cachorrada? Mas demitir o técnico por causa dessa derrota é mais ridículo ainda! A saída de Ricardo Tenório da vice-presidência de futebol do Flu também foi muito mal explicada. Será que algum dia nossos dirigentes serão decentes e profissionais?
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Estamos de volta!
Governança tricolor?
Tricolores do mundo
Demorei a retornar ao nosso convívio mais do que imaginava. Uma deliciosa e saudosa temporada de veraneio carioca associada a um período de mudanças profissionais me levou a retardar a publicação de nossa coluna. Mas aqui estamos firmes e fortes, acompanhando os bons ventos que sopram no laranjal.
Aparentemente, tudo que se pedia em matéria de organização do elenco para a temporada de 2010 foi alcançado pela diretoria tricolor. Mantivemos nossos melhores jogadores, inclusive as jovens promessas que despontaram (e que normalmente são os mais assediados pelo mercado europeu). Conseguimos resolver as rescisões de quase todos os jogadores apontados como “pesos” dentro da equipe. Exceção para o caso de Leandro Amaral que, sem duvida, é o mais complicado de todos. Mantivemos também a boa comissão técnica que foi montada no “susto” no fim do ano passado e que conseguiu que o time alcançasse um nível de desempenho que encantou o Brasil. Contratamos jogadores jovens e promissores, todos com desempenho acima da média no campeonato brasileiro. As contratações foram “cirúrgicas”, todas voltadas para as posições consideradas carentes não só pela comissão técnica mas também pela maior parte dos torcedores. Para completar, a renovação do contrato de patrocínio com a Unimed que se não é o melhor em termos financeiros do mercado brasileiro, é o bastante para mantermos um elenco de bom nível e jogadores de destaque como Fred e Conca. Enfim, dever de casa absolutamente bem feito.
O que me incomoda é constatar que nosso clube não consegue seguir uma suposta cartilha de “governança futibolística” em seu inteiro teor. Acertamos, aparentemente, em muitos quesitos nesse inicio de temporada. Mas continuamos sem uma solução definitiva de CT (treinamos na Portuguesa esperando nosso bom e velho campo das Laranjeiras ficar pronto), não temos uma comissão técnica considerada como permanente, desde a demissão de Branco não temos um gerente de futebol e a ausência dessa figura já está criando algum atrito da CT e elenco com Ricardo Tenório, vice-presidente de futebol, que não deveria estar tão exposto quanto está.
Espero, sinceramente, que os pontos positivos superem os negativos e que esta temporada nos traga um ou mais títulos, de preferência um que nos leve de volta à Libertadores que é nosso lugar. E que consigamos corrigir nossas deficiências de forma a resgatar nossas raízes de referência mundial em organização desportiva.
Em tempo: que nosso futebol carece de uma profissionalização em todos os aspectos, isso não se discute. Mas essa iniciativa estabanada e precipitada da SUDERJ de proibir a venda de ingressos no dia do jogo, sem aviso prévio e sem um planejamento para superar essa dificuldade foi uma pisada de bola monumental. Se quiseram mostrar organização, conseguiram mostrar uma total falta de capacidade de planejamento e negociação!
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com
Adeus ano velho, feliz ano novo
Não queremos mais do mesmo
Torcida Tricolor,
Completamos aqui, nesta coluna, nossos quintos Natal e Ano Novo juntos. Época onde todos renovamos nossas esperanças. Em uma dessas colunas, escrevi que datas e horas foram criadas apenas para o homem tentar controlar o tempo mas acabou controlando o homem. E que a sensação de ser um momento especial para mudanças é uma fantasia, uma ilusão. Porém, no futebol, campeonatos terminam, contratos terminam, mandatos terminam e algumas coisas mudam. A questão é: que mudanças queremos realizar em nossas vidas? E em nossos clubes?
Ano passado estávamos, nesse momento, vivendo um grande alívio. A perda da Libertadores nos pênaltis, num verdadeiro “maracanazzo” ainda doía em nossos corações. A tétrica campanha no brasileirão, quando nos salvamos apenas na penúltima rodada, havia sido extremamente dolorosa. Renê “Mario Bros” Simões foi alçado à condição de profeta tricolor e a torcida toda clamou por sua permanência (como agora fez com Cuca). O time da Libertadores praticamente não mais existia e o que havia restado definitivamente não agradava. Renê foi mantido e muitos jogadores dispensados e contratados. Daí em diante, acho que todos lembram do que aconteceu.
O fato é que, das quatro colunas anteriores de final de ano que escrevi, apenas a do fim de 2007 não tratava de necessidades gigantescas de reformulação geral do time, seja porque muitos jogadores não deram certo, seja porque muitos jogadores deram certos e saíram. O fato é que o tricolor mudou praticamente todo seu time de um ano para outro tanto no período 2005-06 quanto no 2006-07 e 2008-09. Por termos sido campeões da Copa do Brasil em 2007, a diretoria fez um tremendo esforço para manter as principais peças daquele campeonato e simplesmente reforçá-la.
Voltando a 2009, nossa histórica, épica, epopéica (e tantos outros adjetivos que já foram dados) recuperação no campeonato brasileiro se transformou em título. Tanto torcida quanto jogadores chegaram exaustos ao fim do campeonato mas com uma imenso e delicioso sabor de dever cumprido. E novamente os pedidos de permanência do técnico foram atendidos e, ao que parece, boa parte do elenco também será preservada. Isso me remete a 2007-08, só que dessa vez, não temos uma Libertadores no primeiro semestre. Nem Sulamericana no segundo. Teremos apenas 3 campeonatos (Carioca, CB e Brasileirão) sendo que o segundo será dividido pela Copa do Mundo. Também só teremos Maracanã, palco precioso de nossas melhores atuações do ano, até o mês de março. Sei que estou falando o óbvio, mas só estou construindo o cenário que compõe meu argumento.
Defendo a permanência de Urrutia, Equi e Leandro Amaral. Os dois primeiros por terem um histórico muito bom para serem julgados por uma meia dúzia de jogos que fizeram. Precisam de tempo para adaptação. Só quem foi trabalhar longe de sua casa (ou mesmo de seu país) sabe o quanto pode ser difícil essa adaptação. Já LA não pode ser demitido pois tem vínculo trabalhista com o clube e teve problema médico durante o exercício de sua função. É dever do clube, enquanto empregador, cumprir com seus compromissos financeiros com seu funcionário. Só fico curiosos se ele está ou não afastado pelo INSS, mas isso é outro problema. De fato, se ele voltar a jogar, pode fazer uma bela dupla de ataque com Fred, sendo ótima opção para Maicon.
Também defendo a permanência de Edcarlos. Acho ele bom zagueiro mas que ficou envolvido pelas péssimas atuações dos outros defensores e dos cabeças de área que o cercavam no primeiro semestre. Além disso, precisamos de alguém com disposição e experiência para “misturar” com os 3 garotos (Digão, Gum e Danton) que conseguiram segurar a onda nesses últimos 60 dias mas acho pouco provável que segurem uma temporada inteira. Mas Luis Alberto precisa sair. Não que seja ruim, mas vejo que alguém com o título de líder que carregava não poderia ter atuações tão ruins nem deixar o time mergulhar na apatia com ele. Terminando as permanências, ficaria com Paulo César no elenco também. Ele é quase um “estrangeiro” (depois de 6 anos na Europa) e merece um tempo de adaptação. Tem crédito.
Falando de saídas, temos aqueles que nem deveriam ter vindo, casos do Rui e do Roni, e temos um ícone da torcida, Fernando Henrique. Este último me parece um caso típico de erro de gerenciamento. Teve seu auge na campanha da Libertadores e ali poderia ter sido vendido com bom resultado financeiro para o clube. Não discuto seu carinho pelo clube e torcida, mas muitos de nós já sabíamos de sua instabilidade. Fez um belo papel ao longo de nossa reação (pelo menos enquanto estava às vistas da torcida e da imprensa) mas não conta mais com a confiança nem da torcida nem da comissão técnica. Como Rafael ocupou bem aquele espaço (coisa que infelizmente Diogo não conseguiu no passado), é chegada a hora de deixar o garoto seguir seu caminho. Podem sair sem nenhuma dor também Fabinho e WMonteiro.
Com isso, contrataria um lateral direito, um esquerdo, um ou dois volantes e um meia. Nada mais. O que temos no grupo, incluindo a garotada que já está lá somada à garotada que está chegando de Xerém, teremos um grupo do jeito que o Cuca gosta. E ai poderemos chegar aos títulos, que é o que realmente precisamos desejar sempre.
Dadas as minhas opiniões (sei que vocês têm as suas também), chamo a atenção que o orçamento da Unimed este ano deve ser menor não por conta de brigas ou fofocas sem fundamento. Mas sim porque sua receita ano passado diminuiu e é comum acontecerem cortes nas verbas de marketing quando isso ocorre. Some-se a isso que parte da verba de marketing dedicada ao futebol agora está direcionada para o América, time do peixe Romário. Este é um fato com o qual temos que nos acostumar e planejar nosso financeiro de forma a NUNCA MAIS atrasar salários de jogadores e funcionários. Este precisa ser o segundo mandamento desse Flu 2010 (o primeiro é: chegar à final em todos os títulos que disputar).
Que 2010 lhes seja generoso. Voltamos a ocupar nossas cabeças e corações durante a pré-temporada. Até lá, que desfrutemos de nosso merecido descanso.
Saudações Tricolores
flufanatico@globo.com